Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Camadas de argila em Marte podem conter sinais de vida

Camadas de argila em Marte podem conter sinais de vida

Cientistas investigaram as espessas camadas de argila existentes em Marte, concluindo que esses ambientes poderiam ter sido favoráveis à vida no passado do planeta. 

Conduzida por uma equipe da Universidade do Texas, nos EUA, a pesquisa utilizou dados da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da NASA, para analisar 150 depósitos de argila espalhados pela superfície marciana.

Os resultados, publicados na revista Nature Astronomy, indicam que a maior parte dessas camadas se formou próximo a antigos lagos, onde a água permanecia parada por longos períodos. Esses ambientes estagnados permitiram reações químicas que transformaram minerais do solo em argila, criando depósitos volumosos e ricos em minerais.

A pesquisadora de pós-doutorado Rhianna Moore, autora principal do estudo, explica em um comunicado que a estabilidade dessas regiões, que possuem baixa altitude e pouca variação no relevo, favoreceu a preservação dessas camadas ao longo do tempo. Essa invariabilidade pode ter sido essencial para manter condições ambientais adequadas para o desenvolvimento da vida em Marte.

Há bilhões de anos, Marte tinha um clima mais úmido e uma atmosfera capaz de manter água líquida na superfície. Rios, lagos e ambientes aquáticos foram comuns, moldando a paisagem e possibilitando processos geológicos que hoje são estudados a partir das camadas de argila.

Tim Goudge, professor assistente do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias e coautor do estudo, compara o ambiente argiloso de Marte ao das regiões tropicais do nosso planeta. “Na Terra, os locais onde tendemos a observar as sequências de minerais de argila mais espessas são aqueles em ambientes úmidos e com erosão física mínima, capazes de remover produtos de intemperismo recém-formados”, disse ele. “Esses resultados sugerem que o último elemento também é verdadeiro em Marte, embora também haja indícios do primeiro”.

Compartilhe