Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de outubro de 2023 · 2 min de leitura ·

Cidades do Brasil estarão entre as mais quentes do mundo, diz estudo

Cidades do Brasil estarão entre as mais quentes do mundo, diz estudo

Várias capitais do Brasil devem enfrentar calor extremo – a ponto de entrarem para a lista de cidades mais quentes do mundo – até 2050. É o que apontou uma pesquisa realizada pela ONG Carbon Plan, junto ao jornal The Washington Post. Além do ranking de cidades, o estudo investiga o dano potencial que o calor pode causar ao planeta a longo prazo.

O país está entre os que mais devem sofrer com as mudanças climáticas globais, por conta de sua extensão continental e sua localização tropical, de acordo com a pesquisa. “Muitas cidades brasileiras, como Teresina, Cuiabá e cidades do Agreste nordestino, já vivem no limiar da temperatura”, acrescenta o estudo.

A cidade que mais sofrerá será Pekanbaru, na Indonésia, onde o calor extremo deve imperar por 344 dias. Já no Brasil, várias capitais sofrerão por, ao menos, um dia – e a região Norte deve ser a mais castigada. Veja abaixo as cinco cidades onde o calor extremo vai perdurar por mais tempo:

Paulo Artaxo, professor do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), analisou o estudo, a pedido do Jornal da USP. Ele ressalta que cidades de regiões como da Amazônia, que combinam altas temperaturas com altas umidades, terão um agravante:

É perigoso para a saúde humana, porque uma das maneiras que o corpo utiliza para se resfriar é a transpiração. Se você tem umidade relativa do ar entre 70% e 80%, dificulta a evaporação da água do corpo, o que conflui para que os mecanismos de regulação térmica do corpo deixem de funcionar adequadamente.

Além disso, o professor explicou que, com as emissões atuais de gases do efeito estufa, a média da temperatura global deve aumentar, na segunda parte do século 21, três graus Celsius. “O que significa, em áreas continentais, como o Nordeste brasileiro ou a Amazônia, um aumento da ordem de quatro a quatro graus e meio”, acrescenta o professor.

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