
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, apresentou em maio deste ano uma tecnologia de dessalinização capaz de produzir água potável a partir da água do mar sem gerar salmoura residual, um dos principais impactos ambientais associados aos métodos convencionais. O sistema também permite recuperar os sais e minerais removidos durante o processo.
O desenvolvimento foi descrito em um estudo publicado na revista científica Light: Science & Applications e busca responder a dois desafios simultâneos: a crescente demanda mundial por água doce e a necessidade de obter matérias-primas estratégicas de forma menos agressiva ao meio ambiente.
A solução foi testada com amostras reais coletadas nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. Segundo os pesquisadores, o equipamento operou continuamente sem apresentar os bloqueios provocados pelo acúmulo de sais que costumam comprometer tecnologias semelhantes. Você pode ler a pesquisa clicando aqui.
A obtenção de água potável a partir da água do mar normalmente depende de processos como osmose reversa e destilação térmica. Embora amplamente utilizados em diversas regiões do planeta, esses métodos exigem elevado consumo energético e produzem grandes volumes de salmoura concentrada.
Esse resíduo costuma ser devolvido ao ambiente após o tratamento, o que pode alterar a salinidade local e afetar ecossistemas aquáticos. A busca por alternativas mais sustentáveis levou diversos grupos de pesquisa a investir em sistemas movidos a energia solar, mas muitos deles enfrentaram dificuldades ao operar com água oceânica real.
O principal obstáculo está na composição química dos mares. Diferentemente das soluções artificiais usadas em muitos experimentos laboratoriais, a água oceânica contém diferentes minerais que formam depósitos sólidos capazes de bloquear as superfícies responsáveis pela evaporação da água.
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