Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Cientistas desenvolvem mini coração humano para estudos sobre arritmia

Cientistas desenvolvem mini coração humano para estudos sobre arritmia

Cientistas da Michigan State University (MSU) (EUA) desenvolveram um mini coração humano em laboratório capaz de reproduzir a fibrilação atrial, conhecida como A-fib, um tipo de arritmia caracterizada por batimentos irregulares e frequentemente acelerados.

A condição afeta cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo, mas não recebe novos tratamentos há pelo menos 30 anos, em grande parte pela falta de modelos precisos do coração humano para pesquisa.

O avanço é resultado de estudos liderados pelo pesquisador Aitor Aguirre, professor associado de engenharia biomédica e chefe da divisão de biologia do desenvolvimento e de células-tronco do Institute for Quantitative Health Science and Engineering da MSU, que desde 2020 trabalha no desenvolvimento de pequenos modelos tridimensionais funcionais do coração humano, conhecidos como organoides.

Recentemente, esses organoides passaram a ser modificados para replicar a fibrilação atrial, abrindo novas possibilidades para o estudo da doença e o desenvolvimento de terapias.

O mais recente marco do laboratório de Aguirre foi alcançado pelo estudante de medicina osteopática e pesquisador Colin O’Hern, que adicionou células do sistema imunológico aos organoides. No desenvolvimento do coração humano, essas células imunes, chamadas macrófagos, ajudam a garantir o crescimento e a formação adequados do órgão.

Com a inclusão dessas células, os pesquisadores conseguiram induzir inflamação nos organoides, provocando um batimento cardíaco irregular que imita a fibrilação atrial. De acordo com O’Hern, o novo modelo permite observar diretamente o funcionamento de tecido cardíaco humano vivo, algo que não era possível até agora.

Compartilhe