Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de junho de 2021 · 2 min de leitura ·

Cientistas usam aglomerado de galáxias como ‘lente de aumento para o universo’

Cientistas usam aglomerado de galáxias como 'lente de aumento para o universo'

Uma equipe de cientistas usou um truque arrojado de física para estudar uma galáxia que está distante demais para ser observada. Os pesquisadores exploraram os efeitos gravitacionais de um aglomerado de galáxias localizado um pouco mais perto da Terra, como uma espécie de “lente de aumento”, para, assim, conseguir estudar a que estava mais distante.

A intenção dos cientistas era estudar a galáxia CSWA128, que fica há quase 11 bilhões de anos-luz de distância da Terra. Por conta dessa distância tão grande, nem mesmo nossos telescópios mais poderosos são capazes de fazer com que essa galáxia se pareça com algo além de um borrão pálido, como um carro na mão oposta jogando o farol alto na nossa cara em uma estrada.

Para tentar resolver essa questão, a equipe de cientistas liderada por Soniya Sharma, do Goddard Space Flight Center, da Nasa, usou uma galáxia, localizada em um ponto menos distante do universo, como uma espécie de lente de aumento para estudar a CSWA128 de uma forma bem mais detalhada.

A técnica usada pelos cientistas, chamada de lente gravitacional, não é exatamente nova, tendo sido teorizada por ninguém menos do que Albert Einstein como parte de sua teoria da relatividade geral, proposta em 1915. Desde então, tornou- se uma relevante ferramenta de trabalho para astrônomos que têm a intenção de estudar detalhadamente áreas que estejam em pontos distantes do universo.

O aglomerado de galáxias usado como lente pela equipe de Sharma fica a cerca de 3,3 bilhões de anos-luz de distância da Terra. Ele é tão grande, que sua atração gravitacional curva a luz, transformando-a em uma espécie de lente de aumento. Esse efeito faz com que a CSWA128, que está 7 bilhões de anos-luz mais distante, pareça mais próxima da Terra do que realmente está.

De acordo com Sharma, usando essa técnica, os cientistas fizeram com que a galáxia ficasse cerca de 10 vezes maior, permitindo aos pesquisadores ver as luzes brilhantes em aglomerados, que são sinais reveladores de um berçário de estrelas, o que significa que algumas partes da galáxia estão criando novas estrelas.

Compartilhe