Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Cometa 3I/ATLAS emite raios X – algo inédito em visitantes interestelares

Cometa 3I/ATLAS emite raios X – algo inédito em visitantes interestelares

Em 1996, com a passagem do cometa Hyakutake, cientistas descobriram que esses corpos celestes podem emitir raios X, radiação normalmente associada a eventos altamente energéticos, como buracos negros ativos e supernovas. Agora, isso acaba de ser observado no 3I/ATLAS – o que representa a primeira emissão desse tipo detectada em um objeto interestelar.

O evento foi registrado pela Missão de Imageamento e Espectroscopia de Raios X (XRISM), um telescópio de raios X operado conjuntamente pelo Japão e pela Agência Espacial Europeia (ESA), e marca um avanço importante para entender como materiais vindos de fora do Sistema Solar interagem com o Sol. 

Além de mais rápido, mais ativo, muito maior e mais antigo que os outros dois visitantes interestelares já detectados (o asteroide 1I/‘Oumuamua, em 2017, e o cometa 2I/Borisov, em 2019), o 3I/ATLAS agora se destaca por mais este diferencial: ser o primeiro corpo celeste “forasteiro” a apresentar uma assinatura clara de raios X, algo até então inédito.

Conforme salienta o site IFLScience, a emissão de raios X por cometas é um fenômeno perfeitamente normal e esperado, e não um sinal anômalo. A radiação é gerada por interações específicas entre o plasma carregado de partículas liberado pelo Sol em alta velocidade e a coma do cometa (a atmosfera temporária de gás e poeira formada em torno do núcleo à medida que o objeto se aproxima do Sol). Essas colisões arrancam elétrons dos átomos do gás e aceleram as partículas solares a energias tão altas que elas passam a emitir raios X.

As capturas do XRISM foram realizadas entre a noite de 26 e o fim da tarde de 28 de novembro, totalizando 17 horas úteis de observação. A análise inicial identificou um brilho fraco, porém consistente, que se estende por cerca de 400 mil km ao redor do cometa. Segundo os pesquisadores, é improvável que esse sinal seja apenas ruído dos instrumentos.

A equipe também detectou assinaturas específicas de carbono, nitrogênio e oxigênio, reforçando que o raio X observado realmente vem do cometa, e não de outras fontes, como a Via Láctea ou a atmosfera terrestre.

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