Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de junho de 2021 · 2 min de leitura ·

Como se nomeiam os asteroides?

Como se nomeiam os asteroides?

Se você acompanha as notícias sobre o espaço e especialmente sobre asteroides, já deve ter se deparado com nomes estranhos, como P11gGwI, J35S01N, J77S03F, 2001 FO32, 2004 MN4, 2020 VT4, 99942 Apophis, 25143 Itokawa e 101955 Bennu. Mas você já parou para pensar como se nomeiam essas rochas espaciais?

Existe um longo caminho entre a descoberta e a nomeação definitiva de um asteroide. Desde as primeiras observações, há um rito a ser seguido para que o asteroide seja reconhecido como uma descoberta, possa ser rastreado por outros astrônomos até ter sua órbita perfeitamente conhecida, o que o credencia a receber um nome. Normalmente esse processo pode levar entre 3 e 10 anos, dependendo de vários fatores. E em cada etapa desse processo, o objeto é identificado seguindo diferentes padrões.

Tradicionalmente, para encontrar um Asteroide, os astrônomos fazem uma sequência de pelo menos 3 imagens da mesma área do céu separadas por alguns minutos entre elas. Estrelas e galáxias distantes aparecem na mesma posição nas 3 imagens, mas se algum objeto se move na sequência de imagens, pode se tratar de um novo asteroide. Depois de uma verificação inicial, se verificado que não se trata de nenhum objeto conhecido, um relatório das observações é enviado para o MPC – Minor Planet Center, que é uma entidade ligada à IAU – União Astronômica Internacional, que centraliza as informações sobre asteroides e cometas. Nesse relatório, o objeto é identificado por uma designação provisória de até 7 caracteres definida pelo observador.

Não existe nenhuma regra para essa designação provisória, além do limite de 7 caracteres. Por isso, os próprios observatórios criam seu padrão, o que acaba gerando nomes completamente estranhos como P11gGwI e J35S01N citados anteriormente.

Quando uma descoberta é confirmada pelo MPC, e o objeto já tem seus parâmetros orbitais minimamente precisos para que possa ser rastreado por outros observadores, ele recebe uma designação provisória, baseada no período do ano em que foi descoberto. Para explicar essa designação, tomemos por exemplo o Asteroide Apophis, que quando descoberto, recebeu a designação 2004 MN4:

Depois de várias observações, quando o asteroide tem sua órbita definida com precisão suficiente para que possamos determinar exatamente sua posição no céu para longos períodos no futuro, a IAU lhe atribui uma numeração definitiva e o torna apto a receber um nome escolhido pelo seu descobridor.

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