Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

“Coração cósmico” é descoberto perto do Dia Internacional dos Namorados

"Coração cósmico" é descoberto perto do Dia Internacional dos Namorados

Uma equipe internacional de astrônomos descobriu que a estrela Mira A, uma gigante vermelha a cerca de 300 anos-luz da Terra, explodiu em uma nuvem de gás e poeira com contornos que lembram um coração. 

Observado entre 2015 e 2023 com os telescópios Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e Very Large Telescope (VLT), ambos no Chile, o fenômeno ocorreu enquanto a estrela perdia massa em seus estágios finais antes de se transformar em anã branca – chamando a atenção pela escala e pela simetria incomuns.

Aceito para publicação pela revista Astronomy and Astrophysics, o estudo oferece pistas inéditas sobre como estrelas moribundas devolvem matéria ao espaço, em um achado divulgado bem a tempo do Dia Internacional dos Namorados, celebrado em diversos países do mundo neste sábado, 14 de fevereiro.

Gigantes vermelhas costumam se expandir e desprender parte de suas camadas externas à medida que envelhecem. O que torna Mira A especial, segundo os autores do estudo, é a combinação de uma pluma altamente simétrica e uma quantidade de matéria maior que o previsto para esse tipo de estrela.

As imagens e medições de velocidade revelaram duas grandes nuvens que, vistas em conjunto, desenham a silhueta de um coração: o gás ocupa a região central e a poeira marca as bordas curvas, como se um escultor cósmico tivesse contornado a figura no espaço.

“Ficamos muito surpresos ao ver essa estrutura”, afirmou Theo Khouri, astrônomo da Universidade Chalmers e autor principal do trabalho. “Também observamos que a iluminação da poeira ao redor pela estrela varia de uma forma inesperada, o que implica que a estrela age como um farol – iluminando seu ambiente de maneira desigual.” Esse “pisca-pisca” estelar sugere mudanças no brilho ou na geometria da emissão, o que ajuda a explicar por que algumas regiões da nuvem brilham mais do que outras.

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