
Um fóssil minúsculo encontrado em uma praia de Devon, no Reino Unido, acaba de mudar reescrever a evolução dos répteis. Esse crânio de apenas 1,5 cm, datado de 242 milhões de anos, pertence ao mais antigo ancestral conhecido dos lagartos, cobras e do tuatara, um réptil endêmico da Nova Zelândia que sobrevive até hoje, segundo informações do portal New Atlas.
A descoberta surpreendeu cientistas da Universidade de Bristol, que inicialmente pensaram estar diante de um pequeno lagarto primitivo. Após análises detalhadas, eles confirmaram que se tratava de um lepidosauro, grupo que inclui mais de 12 mil espécies atuais de répteis.
Batizado de Agriodontosaurus helsbypetrae, o animal viveu no período Triássico Médio e é mais antigo do que qualquer outro fóssil já identificado dessa linhagem. O termo significa “lagarto de dentes ferozes de Helsby”, fazendo referência aos dentes afiados do pequeno animal.
Ao contrário do que se imaginava para os primeiros lepidosauros, o fóssil não tinha dentes no palato nem articulações flexíveis no crânio. Em compensação, apresentava uma barra temporal inferior aberta, traço que aumenta a flexibilidade da mandíbula. Essa estrutura indicava que a linhagem já buscava formas de se alimentar diferentes e se adaptava conforme a necessidade.
Segundo os pesquisadores, os dentes grandes e triangulares eram perfeitos para perfurar e cortar insetos, um comportamento semelhante ao observado no tuatara atual. Isso sugere que, desde cedo, os lepidosauros desenvolveram diversas estratégias alimentares diferentes.
O tuatara é frequentemente chamado de “fóssil vivo” por conservar traços dos seus parentes mais antigos, mas o estudo reforça que ele é, na verdade, o último representante de uma ordem que possuia muitas outras espécies.
Entre para comentar.