Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Crânio de um milhão de anos pode mudar história da evolução humana

Crânio de um milhão de anos pode mudar história da evolução humana

Um fóssil de cerca de um milhão de anos, encontrado na China, pode mudar o que sabemos sobre as origens da nossa espécie. A reanálise do crânio conhecido como Yunxian 2 indica que o Homo sapiens começou a se diferenciar muito antes do que se imaginava – algo em torno de 400 mil anos mais cedo do que apontavam estimativas anteriores.

O estudo, publicado na revista Science na quinta-feira (25), mostra que as linhagens humanas já se diversificavam há mais de um milhão de anos. Isso significa que o processo que deu origem à nossa espécie foi mais antigo e complexo, envolvendo ramos paralelos como Neandertais e Denisovanos, que podem ter convivido com nossos ancestrais por centenas de milhares de anos.

O protagonista dessa descoberta é o crânio Yunxian 2, achado na província de Hubei, na China, na década de 1990. O fóssil estava bastante deformado, o que dificultava sua análise, mas tecnologias recentes de reconstrução digital permitiram restaurar sua forma original.

Ao ser comparado com mais de cem outros espécimes, o Yunxian 2 revelou uma combinação única de traços primitivos e avançados, que o colocam no centro de uma revisão profunda da árvore genealógica humana.

O crânio Yunxian 2 foi descoberto em 1990, mas estava tão esmagado que, por décadas, os cientistas tiveram dificuldade em estudá-lo. Por causa de sua idade, ele foi inicialmente classificado como pertencente ao Homo erectus, considerado o primeiro humano de cérebro grande.

Com o avanço das tecnologias, uma equipe internacional usou tomografia computadorizada (CT scan), técnicas de imagem de luz estruturada e softwares de reconstrução 3D para restaurar digitalmente a forma original do fóssil. Assim, os pesquisadores corrigiram distorções e visualizaram detalhes anatômicos até então invisíveis a olho nu.

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