
Os efeitos da crise climática hoje são evidentes, sendo sentidos na pele por milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas mesmo antes destes problemas se tornarem perceptíveis, os primeiros modelos climáticos já apontavam para este cenário.
As previsões não eram apenas sobre o aumento médio das temperaturas globais, mas também focavam nos padrões geográficos de aquecimento que vemos na atualidade. Isso mostra como estes trabalhos são fundamentais, apesar de questionados por algumas pessoas.
O primeiro acerto de Manabe foi mostrar como os gases de efeito estufa prendem o calor na atmosfera da Terra. Esse foi um primeiro passo fundamental na construção de qualquer tipo de modelo climático confiável. Para testar seus cálculos, o cientista criou um sistema muito simples. Ele representava a atmosfera global como uma única coluna de ar e incluía componentes-chave do clima, como a luz solar recebida, a convecção de tempestades e seu modelo de efeito estufa.
Apesar de sua simplicidade, o modelo reproduziu muito bem o clima geral da Terra. Além disso, mostrou que dobrar as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera faria com que o planeta aquecesse cerca de 3ºC. Esta estimativa da sensibilidade climática da Terra, publicada em 1967, permaneceu essencialmente inalterada nas muitas décadas desde então e captura a magnitude geral do aquecimento global observado. No momento, o mundo está a meio caminho de dobrar o dióxido de carbono atmosférico, e a temperatura global aqueceu cerca de 1,2 Cº – bem no estádio do que Manabe previu.
A segunda previsão de Manabe foi o resfriamento estratosférico. As temperaturas nesta região superior da atmosfera, entre cerca de 12 e 50 km de altitude, são resultado de um delicado equilíbrio entre a absorção da luz solar ultravioleta pelo ozônio e a liberação de calor radiante pelo dióxido de carbono. Com o aumento do CO₂, a atmosfera retém mais calor perto da superfície e libera mais calor da estratosfera, fazendo com que ela esfrie.
Syukuro Manabe ainda usou seu modelo de coluna única para descobrir que o Ártico aquece significativamente mais do que o resto do globo. Essa “amplificação do Ártico” acaba sendo uma característica robusta das mudanças climáticas, ocorrendo em observações atuais e simulações subsequentes. Ele significa um declínio no gelo marinho, que se tornou um dos indicadores mais visíveis e dramáticos da crise climática.
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