
Nos últimos dois anos, uma pergunta até então restrita à ficção científica passou a ganhar contornos reais: é possível levar data centers para o espaço? A ideia, que parecia distante, tornou-se tema de um debate cada vez mais concreto à medida que empresas de tecnologia e do setor aeroespacial anunciam projetos para ocupar a órbita terrestre com estruturas de processamento de dados. Esse cenário e seus possíveis desdobramentos foram discutidos por Marcelo Zurita e Roberto “Pena” Spinelli no Olhar Espacial.
Spinelli é físico formado pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Machine Learning pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Pesquisador na área de inteligência artificial e colunista do Olhar Digital, ele ajuda a contextualizar por que essa corrida espacial corporativa ganhou força justamente agora.
O tema ganhou ainda mais relevância após movimentos recentes de Elon Musk, que segue ampliando suas ambições no cruzamento entre tecnologia e exploração espacial. A proposta é integrar inteligência artificial avançada com a infraestrutura espacial já existente, criando um ecossistema capaz de operar além dos limites do planeta.
A união entre a SpaceX e a xAI tornaria lançamentos com sistemas de IA embarcados muito mais simples e frequentes. “Quando você se junta com a com a SpaceX, você agora você criou um monstro porque é o não é mais só a empresa que faz que faz inteligência artificial, ela pode lançar essa inteligência artificial pro espaço e e é justamente isso que eles estão querendo.”, explicou Spinelli.
Na segunda-feira (2), conforme noticiado pelo Olhar Digital, a SpaceX anunciou a compra da empresa de inteligência artificial xAI. A operação reforça a visão de Musk de um futuro em que data centers orbitais seriam alimentados por energia solar abundante e conectados por megaconstelações de satélites, como a Starlink.
Apesar do entusiasmo, a ideia está longe de ser consensual. Para Spinelli, a movimentação atual lembra o início de outras disputas tecnológicas, agora transportadas para a órbita da Terra. “essa já é a primeira questão. Isso é ético ou não ético? Alguém pode ter o direito de colonizar uma órbita específica no espaço? O espaço tem dono?”, questionou o pesquisador.
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