Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Degelo na América do Norte elevou os mares na última era glacial

Degelo na América do Norte elevou os mares na última era glacial

Pesquisadores descobriram que, durante a última era glacial, os mantos de gelo da América do Norte foram mais influentes no aumento do nível do mar do que se pensava. A descoberta foi publicada na revista científica Nature Geoscience na última quinta-feira (9).

Por décadas, cientistas acreditaram que a Antártida teve uma contribuição maior durante a última era do gelo, entre 8 e 9 mil anos atrás. No entanto, o novo estudo revela o oposto: o derretimento da massa congelada da América do Norte elevou em mais de 10 metros o nível do mar, enquanto a Antártida teve um papel menor.

“Isso exige uma revisão significativa do histórico de derretimento durante esse intervalo de tempo. A quantidade de água doce que entrou no Oceano Atlântico Norte foi muito maior do que se acreditava, o que tem várias implicações”, disse Torbjörn Törnqvist, coautor do estudo e professor de geologia na Universidade de Tulane, em um comunicado.

O Atlântico Norte tem um papel fundamental no clima da Terra. Com poderosas correntes oceânicas, como a Corrente do Golfo e a Deriva do Atlântico Norte, ele participa principalmente da regulação climática da Europa e de parte da América.

Estudos atuais revelaram que esses fluxos podem estar enfraquecendo devido ao derretimento da Groenlândia. Isso levaria a um resfriamento drástico no continente europeu e alterações do padrão de chuvas na Amazônia. O novo artigo revelou que esses sistemas eram mais resilientes no passado, o que colabora com as atuais pesquisas.

Para reconstruir milênios de história oceânica, a pesquisadora Lael Vetter, membro da equipe e pós-doutoranda em Tulane, coletou sedimentos milenares preservados ao lado do Rio Mississipi, nos EUA. Ao datar esse material por carbono-14, ela reconstruiu a situação do nível do mar há mais de 10 mil anos.

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