Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Descoberta revela fusão inédita com três buracos negros ativos

Descoberta revela fusão inédita com três buracos negros ativos

Astrônomos identificaram, pela primeira vez, três buracos negros supermassivos ativos envolvidos em um mesmo processo de fusão galáctica. O sistema, observado a partir de emissões em ondas de rádio, representa um caso raro em que todos os núcleos das galáxias em interação apresentam atividade simultânea, algo que até agora existia apenas em modelos teóricos.

A descoberta ajuda a esclarecer como galáxias massivas e seus buracos negros centrais evoluem juntas, especialmente durante colisões cósmicas. Segundo os pesquisadores, observar esse tipo de sistema em ação oferece uma oportunidade direta de estudar etapas pouco compreendidas do crescimento desses objetos extremos.

O sistema recebeu o nome de J1218/1219+1035 e está localizado a cerca de 1,2 bilhão de anos-luz da Terra. Ele é composto por três galáxias cujos núcleos, onde ficam os buracos negros supermassivos, estão separados por aproximadamente 22 mil e 97 mil anos-luz. Apesar de estarem em processo de aproximação, a fusão completa não deve ocorrer em escalas de tempo humanas.

Interações entre galáxias são relativamente comuns no universo, especialmente quando estruturas maiores incorporam companheiras menores. Já fusões entre três galáxias ao mesmo tempo são bem menos frequentes, e encontrar um caso em que os três buracos negros estejam ativos torna o registro ainda mais incomum.

Durante colisões galácticas, grandes quantidades de gás podem ser direcionadas para as regiões centrais das galáxias, alimentando os buracos negros supermassivos. Esse processo pode ativar os chamados núcleos galácticos ativos (AGNs), que passam a emitir energia intensa, inclusive em ondas de rádio.

No caso do J1218/1219+1035, os cientistas observaram que os três buracos negros estão emitindo sinais de rádio e lançando jatos, caracterizando um sistema de triple radio AGN. A confirmação foi feita a partir de observações com o Very Large Array (VLA) e o Very Long Baseline Array (VLBA), ambos mantidos pela National Science Foundation, nos Estados Unidos.

Compartilhe