
Cientistas de um laboratório no Instituto JILA, ligado à Universidade do Colorado e ao Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, deram um passo importante no desenvolvimento de um relógio nuclear, tecnologia que pode mudar como medimos o tempo.
A equipe, apelidada de “XUV Gang” por usar um laser na faixa do ultravioleta extremo, conseguiu identificar o “tique” — ou pulso — do núcleo de um átomo de tório, elemento radioativo cuja frequência pode ser usada para criar o relógio mais preciso do mundo.
Essa conquista é resultado de décadas de pesquisa. Desde 2001, quando o físico Ekkehard Peik propôs a ideia, o projeto vem desafiando cientistas de todo o mundo. Na prática, construir um relógio nuclear significa encontrar a frequência exata de luz capaz de excitar o núcleo do tório, processo comparado a testar centenas de milhares de “chaves” para abrir uma fechadura.
Em maio de 2023, cientistas do CERN anunciaram a medição do “tique” do núcleo do tório, permitindo que equipes especializadas em lasers, como a do professor Jun Ye, fizessem avanços significativos.
O desenvolvimento de um relógio nuclear coloca a ciência mais perto de um novo patamar na medição de tempo, com possíveis consequências não só para o estudo da física fundamental, mas também para tecnologias do dia a dia, como GPS, mercado financeiro e sistemas de navegação interplanetária.
O próximo passo na pesquisa do relógio nuclear inclui aprimorar ainda mais a precisão da medição do “tique” do tório. Durante o experimento recente, a equipe de Ye obteve uma medição com precisão de até um milhão de vezes maior que a de tentativas anteriores.
Entre para comentar.