
O papiro de Westcar, atribuído ao Egito Antigo, traz uma narrativa que muitos consideram a mais antiga menção — literal ou literária — de um truque de mágica: a “mágica da cabeça decapitada”. Mas, acima de tudo, ilustra como mitos e histórias já surgiam no imaginário humano há milênios.
Não há evidência arqueológica ou histórica confiável de que o mago Djedi tenha existido de fato. O “truque” provavelmente faz parte da tradição literária e mítica do Egito Antigo.
Alguns estudiosos já apontaram ilustrações na tumba de um oficial real chamado Baqet III (séc. XXI a.C.) como possível evidência de truques clássicos da mágica ocidental. No entanto, essa interpretação é controversa: muitos defendem que o desenho representa um jogo ou outra atividade não relacionada à prestidigitação.
De fato, a primeira menção confiável a um truque data da Roma Antiga. Foi quando o filosofo Sêneca, o Jovem, registrou em suas Cartas Morais a Lucílio, no ano 65 d.C., a descrição do “copo e os dados do malabarista”.
Para ser preciso, são esses malabaristas romanos que podem ser considerados os primeiros praticantes documentados dessa forma de mágica. Ainda assim, o episódio do ganso decapitado preserva o título de relato mais antigo conhecido envolvendo uma performance que se assemelha a um truque de mágica.
Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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