Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Efeito atmosférico nunca visto fora da Terra é detectado em Marte

Efeito atmosférico nunca visto fora da Terra é detectado em Marte

Um artigo publicado nesta segunda-feira (18) na revista Nature Communications relata que cientistas identificaram, pela primeira vez, o chamado Efeito Zwan-Wolf na atmosfera de Marte. O fenômeno havia sido previsto há cerca de 50 anos e já era conhecido na Terra, mas nunca tinha sido observado em outro planeta até agora.

A teoria foi criada pelos físicos BJ Zwan e RA Wolf nos anos 1970. Eles desenvolveram um modelo matemático para explicar como o plasma do vento solar se comprime ao longo das linhas magnéticas ao redor de um planeta. O plasma é um estado da matéria parecido com um gás, mas composto por partículas carregadas eletricamente liberadas pelo Sol.

Segundo os pesquisadores, essa compressão criaria uma região com baixa densidade de plasma próxima à magnetosfera, camada magnética que protege um planeta das partículas solares. Décadas depois, o fenômeno foi confirmado na Terra e recebeu o nome de Efeito Zwan-Wolf, passando a ser associado à forma como a magnetosfera terrestre reage ao vento solar e às tempestades espaciais. 

Enquanto a Terra possui uma magnetosfera forte e extensa, criada pelo movimento do núcleo metálico do planeta, Marte, por sua vez, não possui um campo magnético global atualmente. Mesmo assim, algumas regiões marcianas ainda apresentam vestígios magnéticos antigos, além de uma ionosfera formada pela ação da radiação solar sobre a atmosfera.

Essas interações fazem surgir um campo magnético induzido em Marte, mas muito mais instável do que o terrestre. Como ele depende diretamente da atividade solar, pode variar bastante durante tempestades solares intensas. Foi justamente durante um desses eventos que os cientistas fizeram a descoberta.

Em dezembro de 2023, uma forte tempestade solar atingiu Marte enquanto a sonda MAVEN (sigla em inglês para “Evolução da Atmosfera e dos Compostos Voláteis de Marte”), da NASA, coletava dados da atmosfera do planeta. O pesquisador Christopher Fowler, da Universidade da Virgínia Ocidental, percebeu oscilações incomuns durante a análise das medições.

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