Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Enigma de décadas em Vênus pode ter chegado ao fim

Enigma de décadas em Vênus pode ter chegado ao fim

Um novo estudo pode ter elucidado a origem dos enigmáticos relevos em formato de coroa que marcam a superfície de Vênus, conhecidos como coronae. Pesquisadores propõem que uma espécie de “teto de vidro” no manto do planeta estaria aprisionando calor e impulsionando correntes lentas e instáveis, que dariam origem a essas estruturas circulares.

“Em Vênus, há um padrão que está nos dizendo algo”, afirmou Madeleine Kerr, doutoranda no Instituto de Oceanografia Scripps, da Universidade de San Diego (EUA), e autora principal do trabalho. “Acreditamos que o que encontramos é a chave para desvendar o mistério da origem dessas coronae.”

“Nosso conhecimento atual de Vênus é análogo ao período pré-teoria das placas tectônicas nos anos 1960, porque ainda não temos uma explicação unificadora que ligue a transferência de calor interno às feições tectônicas e magmáticas observadas na superfície”, explicou David Stegman, professor de geociências na Universidade de San Diego e coautor do estudo, publicado em 16 de setembro na revista PNAS.

A nova hipótese aponta para um limite a cerca de 600 km de profundidade, onde materiais frios que descem da crosta e materiais quentes que sobem do manto encontram uma barreira — o chamado “teto de vidro”.

Plumas menores não têm força para atravessar essa camada e acabam se espalhando lateralmente sob ela. Apenas as mais potentes chegam à superfície e formam grandes elevações vulcânicas. O material aprisionado abaixo dessa barreira permanece aquecido sem fundir, funcionando como um reservatório oculto de calor.

De acordo com o artigo, essa camada de fluido quente, situada entre 600 e 740 km de profundidade, cria instabilidades térmicas de várias escalas, já que não segue exatamente os modelos clássicos de dinâmica do manto. Modelos computacionais desenvolvidos pela equipe mostraram que “gotejamentos” de rocha fria da base da crosta estagnada de Vênus podem iniciar um processo que gera múltiplas plumas de material quente.

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