Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Espionagem? Russo é cortado de missão espacial da SpaceX após atitudes suspeitas

Espionagem? Russo é cortado de missão espacial da SpaceX após atitudes suspeitas

Um cosmonauta originalmente escalado para integrar a 12ª missão tripulada da SpaceX à Estação Espacial Internacional (ISS) sob contrato com a NASA – a Crew-12 – foi retirado da equipe e substituído por outro astronauta da Roscosmos, a agência espacial russa.

Antes de entrar nos detalhes dessa história, vamos entender por que russos integram missões norte-americanas e vice-versa. Isso faz parte de um acordo de assentos cruzados firmado entre a Rússia e os EUA, que nasceu da necessidade de manter presença contínua de ambos os países na ISS. 

Embora desde 1998 os dois liderem o consórcio internacional de 15 nações que opera a estação, o intercâmbio de tripulantes só começou efetivamente após o fim dos voos dos ônibus espaciais, no início da década passada, quando os EUA passaram a depender totalmente dos veículos Soyuz para chegar ao laboratório orbital, e a Rússia aceitou levar astronautas norte-americanos de forma regular.

Em 2022 que as trocas regulares de tripulação se tornaram oficiais, quando representantes das duas agências assinaram o contrato de assentos cruzados. Desde então, cada lançamento leva ao menos um representante do outro país, garantindo continuidade operacional caso qualquer veículo fique temporariamente indisponível. Esse esquema protege a rotina da ISS e impede que uma suspensão técnica deixe módulos inteiros sem equipes treinadas para operá-los.

Nesta terça-feira (2), em um comunicado, a Roscosmos anunciou que Oleg Artemyev foi cortado do time da missão SpaceX Crew-12 e substituído por Andrei Fedyayev. A agência informou apenas que Artemyev foi transferido para outra função, mas de acordo com o site investigativo russo The Insider, a situação é mais complexa.

Segundo a publicação, ele teria sido afastado por possíveis violações aos Regulamentos Internacionais sobre Tráfico de Armas (ITAR), uma lei dos EUA que controla o acesso a tecnologias sensíveis ligadas à segurança do país. O cosmonauta teria usado o celular para fotografar documentos da SpaceX e “enviar informações confidenciais”, o que configuraria o vazamento de informações restritas.

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