Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 12 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Esses animais marinhos são vítimas de uma pandemia silenciosa

Esses animais marinhos são vítimas de uma pandemia silenciosa

Uma investigação científica publicada em Frontiers in Marine Science concluiu que um evento de mortalidade em massa tem devastado populações de ouriços-do-mar em várias regiões tropicais e subtropicais do planeta, com foco recente nas Ilhas Canárias e Madeira entre 2022 e 2023. Os dados sugerem que essa crise pode fazer parte de uma pandemia marinha ainda não completamente compreendida.

Os ouriços-do-mar funcionam como “engenheiros do ecossistema”: ao se alimentarem de algas e gramíneas marinhas, eles limitam o crescimento de vegetação excessiva e favorecem organismos calcificantes como corais. Além disso, servem de alimento para peixes, crustáceos e estrelas-do-mar. Antes associados à criação de “desertos marinhos” quando em excesso, esses equinodermos agora enfrentam um declínio alarmante.

Segundo o pesquisador Iván Cano, da Universidade de La Laguna (Espanha), em declaração destacada no site Eurekalert, as populações da espécie Diadema africanum sofreram mortalidade massiva em múltiplas ilhas das Canárias e na Madeira, acompanhada de relatos simultâneos de eventos semelhantes no Caribe, no Mediterrâneo, no Mar Vermelho, no Mar de Omã e no oeste do Oceano Índico.

Os cientistas constataram que, em fevereiro de 2022, ouriços-do-mar da espécie Dophnia africanum passaram a morrer em grande número ao largo de La Palma e La Gomera. Os ouriços afetados apresentavam falta de resposta a estímulos e perda de tecido e espinhos, caracterizando um episódio de mortalidade generalizada.

Embora eventos parecidos tenham ocorrido em 2008 e 2018, a recuperação posterior foi mais rápida. No surto de 2022-2023, os pesquisadores registraram uma segunda onda de mortes que se estendeu por toda a região. Para quantificar o impacto, equipes monitoraram 76 locais em todas as ilhas principais entre o verão de 2022 e o verão de 2025, além de coletar dados com mergulhadores profissionais sobre a abundância relativa da espécie.

“Nossas análises mostraram que a abundância atual de D. africanum nas Ilhas Canárias está em seu nível mais baixo de todos os tempos, com várias populações próximas da extinção local”, disse Cano.

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