Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Estrela morta revela um “universo invisível” aos nossos olhos

Estrela morta revela um “universo invisível” aos nossos olhos

Um artigo publicado este mês na revista Astronomy & Astrophysics revela como um pulsar distante ajudou cientistas a enxergar estruturas invisíveis espalhadas pelo espaço interestelar. 

A pesquisa utilizou uma técnica inédita para analisar a cintilação das ondas de rádio emitidas por esse objeto extremo, permitindo identificar detalhes nunca observados diretamente nessa região do Universo.

O fenômeno estudado lembra o brilho tremeluzente das estrelas visto da Terra durante a noite. Esse efeito acontece porque a luz atravessa diferentes camadas da atmosfera terrestre, que possuem variações de temperatura e densidade. Essas mudanças desviam a luz e fazem as estrelas parecerem piscar. No caso dos pulsares, algo parecido ocorre com as ondas de rádio enquanto elas atravessam o gás rarefeito existente entre as estrelas.

Os pulsares são restos extremamente compactos de estrelas gigantes que explodiram em supernovas. Mesmo concentrando uma massa semelhante à do Sol, eles possuem tamanho equivalente ao de uma grande cidade. Esses objetos giram rapidamente e emitem feixes de ondas de rádio em intervalos regulares, funcionando quase como faróis cósmicos. Quando essas ondas passam pelo meio interestelar, acabam sofrendo distorções provocadas pelas partículas espalhadas no espaço.

Esse efeito é chamado de cintilação interestelar. Ele altera o brilho dos sinais de rádio e pode até deformar a aparência do pulsar observado pelos telescópios. Os pesquisadores analisaram o pulsar PSR B1508+55, localizado a cerca de 7 mil anos-luz da Terra, na constelação de Draco. Durante as observações, o objeto apareceu esticado em forma de linha, algo considerado bastante incomum pelos cientistas.

Normalmente, os astrônomos esperavam encontrar uma imagem borrada em formato circular, produzida pelas flutuações aleatórias do gás interestelar. Porém, a observação mostrou uma estrutura muito mais organizada. Segundo os pesquisadores, isso pode indicar a presença de filamentos paralelos ou camadas extremamente finas espalhadas pelo espaço, todas alinhadas em uma direção específica.

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