Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Estudo cria mapa com corredor cósmico onde podemos buscar vida alienígena inteligente

Estudo cria mapa com corredor cósmico onde podemos buscar vida alienígena inteligente

Pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, em colaboração com a NASA, mapearam duas décadas de comunicações humanas com o espaço profundo e identificaram padrões que podem orientar a busca por vida alienígena inteligente. Os resultados foram publicados na revista Astrophysical Journal Letters.

A ideia é que, ao observar o modo como nós mesmos nos comunicamos com o espaço, é possível deduzir onde e quando possíveis civilizações extraterrestres poderiam fazer algo parecido.

A busca por inteligência extraterrestre tradicionalmente vasculha o céu por “tecnomarcadores” – como sinais de rádio ou pulsos de laser. O novo trabalho propõe inverter a lógica: em vez de supor como civilizações alienígenas se comunicariam, examinar como nós fazemos isso. Ao decifrar nossos próprios padrões de transmissão, os cientistas definiram um mapa mais preciso de onde e quando sinais tecnológicos poderiam ser detectados no cosmos.

Liderada por Pinchen Fan, pesquisadora de doutorado no Departamento de Astronomia e Astrofísica da Penn State, a equipe analisou dados da DSN, a rede global de antenas da NASA usada para se comunicar com espaçonaves que estão muito distantes da Terra, que possui antenas nos Estados Unidos, Espanha e Austrália. Essa infraestrutura sustenta as comunicações com missões interplanetárias, de rovers em Marte a sondas nos limites do Sistema Solar. 

Os cientistas descobriram que as transmissões não se espalham ao acaso pelo espaço. A maioria se concentra próxima ao plano orbital da Terra, o mesmo onde a maior parte dos planetas do Sistema Solar orbita o Sol. “Como nosso sistema solar é bastante plano e a maioria dos planetas orbita nesse mesmo plano, a maior parte das transmissões da DSN ocorreu dentro de 5 graus do plano orbital da Terra”, explicaram em comunicado.

Entre os alvos, Marte se destaca. Nas conjunções Terra–Marte, quando os planetas se alinham, o “ciclo de trabalho” das transmissões chega a cerca de 77% (algo como 9 meses por ano) a apenas dois minutos de arco do planeta. Em termos práticos, uma civilização que observasse a partir desse alinhamento teria probabilidade muito maior de interceptar nossos sinais – vantagem estimada em 400 mil vezes sobre uma direção aleatória, segundo o site especializado StudyFinds.

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