Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Estudo revela a surpreendente força oculta por trás do resfriamento da Terra

Estudo revela a surpreendente força oculta por trás do resfriamento da Terra

Ao revisar a história climática da Terra, pesquisadores notaram resfriamentos prolongados que permaneciam sem explicação clara. Novas evidências, relatadas em um artigo publicado este mês na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugerem que a chave pode estar no fundo do mar.

Uma equipe internacional de cientistas mostrou, por meio de modelos computacionais, que mudanças nas concentrações de cálcio dissolvido nos oceanos alteraram a forma como a vida marinha fixa e enterra carbono, com impacto potencial sobre a composição da atmosfera e o clima do planeta. 

Conduzido por pesquisadores da Universidade de Tongji, na China, e da Rutgers University, nos Estados Unidos, o trabalho sugere que a desaceleração da expansão do fundo oceânico coincidiu com a queda do cálcio na água do mar, reorganizando o ciclo do carbono e favorecendo períodos de resfriamento global.

Os pesquisadores usaram simulações para testar como diferentes níveis de cálcio no oceano afetam organismos como corais e plâncton, que constroem conchas e esqueletos de carbonato de cálcio. Quando há mais cálcio disponível, a tendência é aumentar a quantidade de carbono que esses organismos incorporam às suas estruturas e que, depois, é enterrado em sedimentos marinhos. Esse processo retira carbono da circulação entre oceano e atmosfera e o isola no fundo do mar por longos períodos.

“Usando modelos computacionais, a equipe demonstrou que altos níveis de cálcio alteram a quantidade de carbono ‘fixada’ pela vida marinha, como corais e plâncton”, afirmou Evans em um comunicado. A coautora Xiaoli Zhou, da Universidade de Tongji, reforça o mecanismo: “O processo efetivamente retira o dióxido de carbono da atmosfera e o armazena.” Em suas palavras, “essa mudança pode ter alterado a composição da atmosfera, diminuindo efetivamente a temperatura do planeta”.

O estudo também destaca a importância da geologia do fundo do mar. À medida que a produção de nova crosta oceânica diminuiu, a troca química entre rochas e água do mar mudou, reduzindo gradualmente o cálcio dissolvido. Menos cálcio significa outra dinâmica de formação e enterro de carbonatos, com reflexos sobre a eficiência do oceano em capturar carbono. Para o coautor Yair Rosenthal, da Rutgers University, a descoberta amplia o foco da discussão climática: “A química da água do mar é normalmente vista como algo que responde a outros fatores que levam a mudanças em nosso clima, em vez de ser a causa em si.”

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