
Um artigo publicado na revista Geology revela que águas localizadas a cerca de 800 metros de profundidade no Atlântico equatorial passaram por um forte aquecimento ao longo de milhares de anos.
O mais surpreendente é que esse processo ocorreu sem deixar sinais evidentes na superfície do oceano.
A descoberta surgiu a partir da análise de um núcleo de sedimento retirado do fundo do mar. Esses depósitos se acumulam lentamente ao longo do tempo e preservam informações sobre as condições ambientais do passado. Entre os materiais encontrados estão minúsculas conchas de organismos marinhos, cuja composição química funciona como um registro natural das temperaturas existentes quando foram formadas.
Utilizando esse método, o pesquisador Syee Weldeab, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, EUA, reconstruiu a história térmica de uma região do Atlântico equatorial situada cerca de 800 metros abaixo da superfície. O registro obtido cobre aproximadamente 11 mil anos, abrangendo quase todo o Holoceno, período geológico iniciado após o fim da última era glacial.
Os resultados mostraram uma diferença marcante entre a superfície e as águas mais profundas. Enquanto os registros superficiais permaneceram relativamente estáveis ao longo de milênios, o interior do oceano apresentou mudanças significativas. Isso indica que processos importantes podem ocorrer em profundidade sem serem detectados pelas medições tradicionais realizadas na superfície.
Segundo o estudo, o aquecimento começou há cerca de 5.700 anos. A temperatura das águas profundas aumentou gradualmente até atingir seu pico em torno de 2.500 anos atrás. No total, a elevação foi de aproximadamente 5 graus Celsius. Para os pesquisadores, trata-se de uma mudança expressiva, especialmente por ter ocorrido sem reflexos claros nas camadas superiores do oceano.
Entre para comentar.