
A situação da Amazônia é cada vez mais crítica. O alerta vem de um estudo publicado na última quarta-feira (20), que indica a possibilidade de extinção da floresta ainda neste século. Para o renomado climatologista Carlos Nobre, o processo pode começar nos próximos 30 anos.
A pesquisa publicada na revista Communications Earth & Environment simula mudanças de longo prazo na floresta amazônica até o ano de 2300, usando modelos de sistemas terrestres de última geração do Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados (CMIP5 e CMIP6), que embasaram o Quinto e o Sexto Relatórios de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
As simulações mostraram que o risco de colapso é maior do que se imaginava, especialmente em cenários de altas emissões de gases de efeito estufa.
Em entrevista exclusiva ao Olhar Digital News, Nobre afirmou que a situação é crítica e que a extinção pode começar já nas próximas décadas. “Ela (Amazônia) pode passar do ponto de não retorno até 2050. Se isso acontecer, aí começa uma autodegradação. Essa autodegradação leva 30, 50 anos”.
Os indícios de que esse processo está próximo são muitos. “No sul da Amazônia, do Oceano Atlântico, sul da Amazônia brasileira até a Amazônia da Bolívia, nós estamos vendo ali a região mais desmatada, constituída por pastagens, por soja, e ali o clima já mudou bastante”, completou Nobre.
A pesquisa destaca o fenômeno chamado de “dieback”, que descreve a perda severa da capacidade de fotossíntese em regiões altamente produtivas da Amazônia. Essa queda no funcionamento vital da floresta pode levar a uma transição para um ecossistema degradado, menos biodiverso e incapaz de armazenar tanto carbono. A mudança traria impactos profundos para o clima mundial.
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