
A explosão do foguete sul-coreano HANBIT-Nano, da INNOSPACE, após o lançamento no Centro Espacial de Alcântara (MA), reacendeu o debate sobre riscos e maturidade operacional do setor espacial no Brasil. Para o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Chamon, em entrevista exclusiva ao Olhar Digital, o episódio — ocorrido cerca de 30 segundos após a decolagem, com acionamento do sistema de término de voo e queda na zona de segurança — não vai atrapalhar os planos para a base.
A mensagem central do dirigente foi direta: o espaço é um ambiente de alto risco e falhas são esperadas, inclusive em países com longa tradição de lançamentos. “Essas coisas acontecem, acontecem no mundo todo, o programa espacial é arriscado. Espaço é um negócio difícil”, afirmou Chamon, ao comparar o incidente no Brasil com falhas recentes em outros países, como no programa indiano.
Ao mesmo tempo, ele insistiu que o revés não muda o rumo dos projetos em andamento. “Isso não significa que nós vamos desistir. Ao contrário”, disse. Na entrevista, o presidente reforçou que o aprendizado acumulado em operações como a realizada em Alcântara tende a fortalecer as próximas campanhas.
Chamon separou o que considera ser o problema do voo do que foi a atuação da infraestrutura brasileira. Para ele, a ocorrência reforçou a confiabilidade do centro de lançamento, não o contrário.
“A base se mostrou 100%, a performance dela foi 100%, desempenho absolutamente correto da base”, declarou. Em seguida, resumiu: “Falha, acontece, nesse caso aconteceu, mas toda a logística foi feita para que o foguete pudesse ser lançado.”
A leitura do presidente é que o comportamento do centro — inclusive em protocolos de segurança — tende a ser um ativo para atrair novos clientes. “A base é muito confiável e a InnoSpace vai voltar justamente por causa disso”, completou.
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