Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Explosão de megafoguete da SpaceX expôs aviões a “risco extremo”, diz jornal

Explosão de megafoguete da SpaceX expôs aviões a “risco extremo”, diz jornal

No início de janeiro, um avião da companhia JetBlue que voava dos EUA para Porto Rico recebeu um alerta incomum do controle de tráfego aéreo ao se aproximar do Caribe. A ameaça não vinha de uma tempestade ou falha técnica, mas do megafoguete Starship, da SpaceX, que havia explodido minutos após um lançamento experimental, segundo reportagem exclusiva do Wall Street Journal com base em documentos da Administração Federal de Aviação (FAA).

Diante do aviso, os pilotos foram orientados a entrar em um padrão de espera para avaliar a situação. Um controlador alertou a tripulação sobre os riscos da rota e deixou clara a gravidade do cenário: “Se vocês querem ir para San Juan, serão por sua conta e risco”. O dilema era crítico, e a decisão tinha que ser tomada rapidamente. Para seguir viagem, o avião teria de atravessar uma possível área de queda de destroços em chamas. A alternativa era permanecer no ar por mais tempo, aumentando o risco de ficar sem combustível sobre o oceano.

Outras duas aeronaves enfrentaram situação semelhante naquela noite. Um voo da Iberia Airlines e um jato executivo também foram informados sobre o perigo à frente. Os três acabaram declarando emergência de combustível, segundo registros da FAA.

Ao todo, cerca de 450 pessoas estavam a bordo das aeronaves envolvidas. Apesar do cenário extremo, todos os aviões conseguiram pousar em segurança. O episódio, no entanto, revelou falhas importantes na integração entre operações espaciais e o tráfego aéreo comercial.

Documentos internos analisados pelo WSJ mostram que a explosão da nave Starship, ocorrida em 16 de janeiro, representou um risco maior do que o divulgado inicialmente. Segundo a FAA, destroços em chamas se espalharam por partes do Caribe durante cerca de 50 minutos.

A agência avaliou que um único fragmento atingindo uma aeronave em voo poderia ter consequências catastróficas. Danos estruturais graves e mortes de passageiros estavam entre os cenários considerados nos relatórios internos.

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