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Ciência e Espaço · · 4 min de leitura ·

Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes

Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes

Uma estrutura de pedras com formas circulares, corredores e áreas retangulares, encontrada nas imagens do Google Earth, está intrigando arqueólogos nos Andes argentinos. Localizado na cordilheira do Tigre, na província de Mendoza, o conjunto pode ser um geoglifo de origem antiga, mas sua idade e finalidade ainda são desconhecidas.

A descoberta chamou a atenção de pesquisadores por suas características incomuns e pela localização remota, a mais de três mil metros de altitude. Uma das hipóteses investigadas é que o local tenha sido utilizado em cerimônias durante o período inca, embora os especialistas não descartem outras origens e funções.

O estudo faz parte do projeto ArqueoAndes, colaboração entre pesquisadores da Argentina e da Espanha dedicada à investigação das transformações históricas da paisagem na alta montanha dos Andes.

Montanhista levou quase 30 anos para encontrar a estrutura

  • O responsável pela descoberta foi Carlos Gobbi, montanhista que há quase três décadas procurava possíveis sítios arqueológicos na região. Depois de ouvir relatos sobre antigas construções de pedras na cordilheira do Tigre, ele passou a examinar a área por meio do Google Earth;
  • Em maio de 2025, Gobbi identificou nas imagens de satélite uma formação que despertou sua curiosidade. Chegar até ela, porém, foi um desafio. Ele tentou alcançar o local em setembro e novembro daquele ano, mas não conseguiu concluir as expedições;
  • A primeira visita bem-sucedida ocorreu em 14 de fevereiro de 2026, quando Gobbi chegou à área acompanhado de Adrián Radich e Gabriel Orofino. A jornada levou quase quatro dias, em território sem água nas proximidades e sem sinal de telefone;
  • No local, o grupo encontrou pedras empilhadas que formavam passagens, além de setores escavados e revestidos com rochas. Algumas estruturas estavam parcialmente enterradas, enquanto outras se elevavam acima do terreno;
  • Ao retornar, o montanhista apresentou fotografias do achado às arqueólogas Cristina Prieto-Olavarría e Horacio Chiavazza, pesquisadores envolvidos no projeto. As imagens despertaram o interesse da equipe, mas não permitiram determinar quando a construção foi feita nem para que servia;
  • Prieto-Olavarría e Chiavazza consideram o conjunto uma descoberta inédita para a arqueologia de Mendoza, justamente por não haver registros de estruturas semelhantes na região.

Seria um geoglifo como as Linhas de Nazca?

Vista de cima, a disposição das pedras forma uma figura que pode ser interpretada como um geoglifo. Esse termo é utilizado para descrever desenhos de grandes dimensões feitos diretamente no terreno, por meio de escavações ou da disposição de materiais, como pedras.

A comparação com as famosas Linhas de Nazca, no Peru, é inevitável. Entretanto, os pesquisadores ressaltam que existem diferenças importantes entre as estruturas.

Enquanto os desenhos de Nazca foram produzidos principalmente por meio da remoção de pedras e da exposição do solo, o conjunto encontrado em Mendoza apresenta construções formadas pelo empilhamento de rochas e pela criação de corredores.

Por isso, a semelhança visual observada nas imagens de satélite não significa que as duas estruturas tenham a mesma origem, técnica de construção ou finalidade.

A classificação do achado argentino como geoglifo ainda precisa ser investigada. Os arqueólogos também não sabem se a formação foi construída em um único período ou se passou por modificações ao longo do tempo.

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Imagem vista no Google Earth
Figura vista no Google Earth – Imagem: Reprodução/Google Earth

Construção pode ter relação com os incas

Uma das principais hipóteses é que a estrutura tenha sido utilizada durante o período inca, entre os séculos XV e XVI. A possibilidade é considerada porque os incas atribuíam importância religiosa a montanhas, caminhos e outros elementos da paisagem.

Nesse contexto, o local poderia ter desempenhado alguma função cerimonial ou simbólica. Ainda assim, não há evidências suficientes para confirmar essa interpretação.

A localização também levanta dúvidas. A área é de difícil acesso e não possui fontes de água próximas, características que tornam menos provável uma ocupação residencial permanente.

Durante o primeiro reconhecimento, os exploradores não encontraram fragmentos de cerâmica nem restos de alimentos na superfície que indicassem a presença de uma comunidade vivendo continuamente no local.

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