Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Fomos enganados: Urano e Netuno podem não ser “gigantes de gelo”

Fomos enganados: Urano e Netuno podem não ser “gigantes de gelo”

Urano e Netuno – há muito conhecidos como os “gigantes de gelo” devido a modelos que sugeriam uma composição interna dominada por misturas congeladas de água e amônia – podem estar prestes a mudar de apelido. 

Uma pesquisa aceita para publicação pela revista Astronomy and Astrophysics e disponível no servidor de pré-impressão arXiv propõe uma reviravolta: esses planetas distantes seriam, na verdade, “gigantes rochosos”, desafiando décadas de compreensão sobre a formação do Sistema Solar e abrindo novas frentes de investigação para a exploração espacial.

Modelos anteriores classificavam Urano e Netuno como “gigantes de gelo”, supondo grande parte de sua massa composta por água e amônia congeladas. O novo estudo empregou uma metodologia diferente, gerando uma série de modelos aleatórios para o interior dos planetas e comparando-os com dados observacionais.

Os resultados surpreendentes indicam que Urano e Netuno podem conter uma proporção significativamente maior de rocha do que se pensava, talvez superando até mesmo a quantidade de rocha presente em Júpiter e Saturno, apesar de serem planetas menores que os gigantes gasosos.

Essa descoberta questiona os modelos atuais de formação planetária, exigindo explicações sobre como tanto material rochoso pôde se acumular no Sistema Solar externo. Para confirmar essas novas hipóteses e desvendar completamente a verdadeira natureza desses mundos, serão necessárias futuras missões espaciais dedicadas.

A falta de dados diretos é um dos maiores desafios para entender Urano e Netuno. Diferentemente de Saturno e Júpiter, que foram visitados por missões como Cassini e Juno, esses planetas mais afastados só receberam a visita da sonda Voyager 2, há mais de 30 anos. 

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