
Fósseis são mais do que apenas ossos antigos. Eles funcionam como cápsulas do tempo, que registram a vida e a morte de espécies antigas. No entanto, muitas vezes, os mistérios que essas peças guardam não são completamente entendidos pela ciência.
Foi o que aconteceu com uma recente descoberta que intrigou a comunidade paleontológica: uma nova espécie de ave foi encontrada com a garganta cheia de pedras. E ninguém sabe o motivo.
As pedras de moela (gastrólitos) são comuns em aves modernas e alguns répteis. Elas ajudam a triturar o alimento no sistema digestivo. No entanto, em aves fósseis próximas ao grupo da Chromeornis, esse registro é raro ou ausente.
No novo exemplar, a equipe contabilizou mais de 800 grânulos, alguns com densidade compatível com bolotas de argila.
O arranjo e a preservação sugerem que o material não foi depositado após a morte. Em vez disso, a massa parece ter ficado alojada na garganta, possivelmente levando ao sufocamento. Segundo O’Connor, a hipótese inicial era de uma moela comum deslocada, mas perdeu força à medida que o número, o tamanho e a distribuição das pedras foram medidas e comparadas com bases de dados de gastrólitos em aves.
Uma possibilidade levantada para explicar as pedras na garanta é doença: aves vivas, quando debilitadas, podem ingerir quantidades atípicas de material. Se a massa não avançou para o estômago e a ave tentou regurgitar, ela pode ter ficado presa no esôfago, obstruindo vias respiratórias.
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