
A fumaça das queimadas, já considerada grave problema de saúde em diversas regiões do mundo, pode se tornar ainda mais letal nas próximas décadas. Dois estudos publicados nesta quarta-feira (17) na Nature indicam que o avanço do aquecimento global tende a intensificar a frequência e a severidade dos incêndios florestais, aumentando significativamente as mortes relacionadas à inalação da fumaça.
Nos Estados Unidos, a estimativa é de que, até 2050, o país registre cerca de 70 mil mortes adicionais por ano causadas pela poluição resultante das queimadas, caso as emissões de gases de efeito estufa permaneçam elevadas. Globalmente, o número pode alcançar 1,4 milhão de mortes prematuras anuais até o fim do século.
“Nossa pesquisa sugere que os impactos da fumaça das queimadas provocadas pelas mudanças climáticas podem estar entre as consequências mais importantes e custosas do aquecimento no país”, afirmaram os autores do estudo liderado por Minghao Qiu e Marshall Burke, da Universidade de Stanford e de Stony Brook (EUA).
Outro estudo, coordenado por Bo Zheng e Qiang Zhang, da Universidade Tsinghua (China), analisou os impactos em escala global. Utilizando inteligência artificial (IA), os cientistas projetaram as áreas queimadas e as emissões até 2100, simulando a circulação da fumaça e seus efeitos sobre a saúde. As projeções indicam que as mortes prematuras podem crescer seis vezes, atingindo 1,4 milhão de pessoas por ano em cenário intermediário de emissões.
A África aparece como a região mais vulnerável, com aumento de até 11 vezes nas mortes relacionadas ao fogo. Nos EUA e na Europa, o crescimento estimado varia de uma a duas vezes, ainda assim em níveis preocupantes. Os estudos não apresentaram projeções específicas para o Brasil.
A fumaça das queimadas é composta por uma mistura tóxica de poluentes que inclui material particulado (PM2.5), monóxido de carbono (CO), compostos orgânicos voláteis (COVs), óxidos de nitrogênio (NOx), ozônio e metais pesados. Entre eles, o PM2.5 é considerado um dos mais perigosos por penetrar profundamente nos pulmões.
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