
O que começou como uma disputa contratual entre o Pentágono e uma startup de inteligência artificial transformou-se em um movimento que atravessa as maiores empresas de tecnologia do mundo. Funcionários do Google, Amazon e Microsoft assinaram cartas e petições nesta semana pedindo que suas companhias desafiem as exigências do Departamento de Defesa sobre o uso de IA em operações militares.
Mais de cem empregados do Google subscreveram um documento interno pedindo que a empresa “se recuse a cumprir” as diretrizes do Pentágono. Em carta separada, funcionários das três gigantes tecnológicas conclamaram seus líderes a manterem posição firme contra o órgão de defesa, segundo o The New York Times.
O estopim da mobilização foi o embate entre o governo Trump e a Anthropic, startup fundada por ex-funcionários da OpenAI. A empresa negociava um contrato de US$ 200 milhões para fornecer IA ao Pentágono, mas exigiu salvaguardas para impedir que sua tecnologia fosse usada em vigilância em massa de cidadãos americanos ou em armas autônomas.
A resposta de Washington foi dura. O presidente Donald Trump classificou a Anthropic como “uma empresa de IA de esquerda radical dirigida por pessoas que não têm ideia do que é o mundo real”. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, foi além e rotulou a startup como “risco para a cadeia de suprimentos”, ameaçando romper qualquer vínculo com a companhia.
O cerco do governo à Anthropic gerou reações em cadeia. Executivos de empresas concorrentes manifestaram solidariedade pública, enquanto engenheiros de base ocuparam grupos de mensagem e fóruns internos para discutir o precedente perigoso que a exclusão da startup representaria.
“Se o Pentágono fizer isso com a Anthropic, nada impedirá que use as mesmas táticas contra qualquer outra empresa que tente impor limites éticos”, alertou um funcionário do setor em conversas privadas.
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