
A confirmação de uma violenta colisão extraterrestre no Brasil há 6,3 milhões de anos não começou em um laboratório de alta tecnologia, mas sim no quintal de um morador do norte de Minas Gerais. O evento, que espalhou vidro raro por uma área de 900 quilômetros, coloca o país no mapa global da defesa planetária e da geologia.
O estudo, liderado pelo professor Álvaro Crósta (Unicamp) e publicado na revista Geology, em dezembro de 2025, detalha a descoberta dos “geraisitos”, fragmentos que compõem o sétimo campo de tectitos conhecido no mundo.
A história da descoberta revela uma colaboração fascinante entre ciência e sociedade. Tudo começou quando um morador de uma área rural, próxima à divisa entre Minas Gerais e Bahia, encontrou pedras estranhas em sua propriedade. Curioso com a aparência do material, ele pesquisou na internet, notou a semelhança com tectitos e entrou em contato com a Unicamp.
Inicialmente, os pesquisadores reagiram com cautela. “A nossa primeira reação aqui foi ficar um pouco desconfiado… hoje com internet tem muita história falsa”, relata o professor Crósta à TV Unicamp, temendo que o material pudesse ter sido comprado online de outro país.
A virada aconteceu quando, de forma independente, um segundo morador, vivendo a 40 quilômetros do primeiro, também contatou a equipe relatando achados similares. A equipe foi a campo, confirmou a veracidade e iniciou uma análise rigorosa que durou meses, com parcerias internacionais.
Os tectitos brasileiros, batizados de geraisitos, são vidros formados quando um grande asteroide atinge a Terra, derrete as rochas locais e lança o material fundido para a atmosfera, onde ele resfria e cai em formatos aerodinâmicos (gotas, discos ou halteres).
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