Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Hubble captura momento inédito de cometa se desintegrando

Hubble captura momento inédito de cometa se desintegrando

Às vezes, a melhor ciência acontece quando os planos dão errado. Foi o que ocorreu com uma equipe de astrônomos que, ao perder o alvo original de suas observações com o Telescópio Espacial Hubble, acabou testemunhando um evento extremamente raro: a fragmentação de um cometa em tempo real.

O protagonista dessa história é o cometa C/2025 K1 (ATLAS), ou simplesmente K1. Ele não deve ser confundido com o famoso visitante interestelar 3I/ATLAS. Este é um cometa comum, de longo período, que teve seu destino selado ao se aproximar demais do Sol. O que torna sua história extraordinária é que o Hubble estava olhando exatamente na hora certa.

“A ironia é que agora estamos estudando um cometa comum e ele se desfaz diante dos nossos olhos”, disse Dennis Bodewits, investigador principal do estudo publicado na revista Icarus, à ESA.. A equipe, formada por pesquisadores da Universidade de Auburn e outras instituições, havia proposto observações para flagrar exatamente esse tipo de evento, mas nunca conseguido agendar a tempo. Desta vez, a sorte jogou a favor.

John Noonan, professor de pesquisa na Universidade de Auburn, foi o primeiro a perceber o que aconteceu. “Enquanto eu dava uma olhada inicial nos dados, vi que havia quatro cometas nessas imagens, quando tínhamos planejado observar apenas um”, contou. “Sabíamos que isso era algo realmente muito especial.”

O Hubble capturou três imagens do K1 entre os dias 8 e 10 de novembro de 2025. Cada uma mostrava o cometa se despedaçando em pelo menos quatro fragmentos distintos, cada um envolto em sua própria coma — a nuvem difusa de gás e poeira que caracteriza esses objetos. Para telescópios terrestres, na mesma época, os pedaços apareciam apenas como manchas borradas; apenas a nitidez do Hubble permitiu resolvê-los individualmente.

A fragmentação ocorreu cerca de um mês após o cometa atingir seu ponto mais próximo do Sol, o periélio. O K1 passou dentro da órbita de Mercúrio, a um terço da distância entre a Terra e o Sol, sofrendo o aquecimento mais intenso de sua jornada. Cometas de longo período como este são particularmente propensos a se desintegrar após esse estresse térmico, embora os cientistas ainda não saibam exatamente por quê.

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