Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Incidente com astronautas “presos” no espaço altera contrato entre a NASA e a Boeing

Incidente com astronautas “presos” no espaço altera contrato entre a NASA e a Boeing

Uma missão tripulada da NASA que deveria durar apenas 10 dias acabou se estendendo por cerca de nove meses – com acompanhamento intenso da mídia mundial. Entre junho de 2024 e março deste ano, os astronautas Sunita Williams e Butch Wilmore permaneceram “presos no espaço” porque a cápsula Starliner, da Boeing, apresentou falhas no sistema de propulsão, retornando sozinha à Terra e deixando os dois na Estação Espacial Internacional (ISS) até que fosse possível organizar uma nova forma de trazê-los de volta.

O episódio levou a NASA a rever o contrato firmado com a Boeing em 2014, que previa até seis voos tripulados para transportar astronautas de e para a ISS. Agora, o escopo será reduzido: a Boeing deverá realizar somente quatro missões tripuladas garantidas, enquanto as duas restantes ficarão como opcionais, dependendo da demanda operacional da estação espacial ao longo dos próximos anos.

Como parte dessa reestruturação, a NASA anunciou que a próxima missão da Starliner – prevista para abril de 2026 – ocorrerá sem astronautas. Chamada de Starliner-1, ela levará apenas carga e suprimentos. Segundo a agência, o objetivo é testar em voo as atualizações implementadas desde o conturbado Teste de Voo Tripulado 1, quando as falhas do sistema impediram o retorno de Wilmore e Williams à Terra.

Eles só conseguiram voltar em março de 2025, “de carona” em uma cápsula Dragon, da SpaceX – curiosamente, empresa concorrente da Boeing, que já transporta astronautas da NASA de forma regular desde 2020 e tornou-se peça essencial do programa espacial dos EUA, especialmente diante dos atrasos acumulados pela Starliner durante as fases de desenvolvimento e testes.

Esses atrasos incluem o primeiro voo não tripulado, em 2019, que falhou ao tentar alcançar a ISS, com um novo teste ocorrendo apenas em 2022. O voo tripulado de 2024 também acabou marcado por dificuldades, resultando no longo período extra de Williams e Wilmore no espaço. Desde então, engenheiros da Boeing têm trabalhado intensamente para solucionar os problemas do sistema de propulsão.

De acordo com Steve Stich, gerente do Programa de Tripulação Comercial da NASA, os testes continuam rigorosos e devem prosseguir ao longo de 2026. Ele afirma que a modificação no contrato permite que a agência priorize a certificação segura da Starliner antes de autorizar novas missões com astronautas. A primeira rotação de tripulação só ocorrerá quando a nave estiver totalmente pronta e alinhada às necessidades operacionais da ISS.

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