Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Inédito! Ouça o primeiro som de relâmpagos gravado em Marte

Inédito! Ouça o primeiro som de relâmpagos gravado em Marte

Conforme relata um artigo publicado na quarta-feira (26) na revista Nature, o rover Perseverance registrou um conjunto inédito de sons que representa a primeira gravação de relâmpagos em Marte, confirmando que esse tipo de fenômeno também ocorre no planeta vermelho.

As descargas detectadas pelo explorador robótico não se parecem com os relâmpagos intensos e luminosos que estamos acostumados a ver na Terra. Na verdade, lembram pequenos choques estáticos, como aqueles que sentimos ao encostar em uma maçaneta. Mesmo assim, o registro representa um marco para a ciência planetária, sendo a primeira evidência acústica direta de eletricidade atmosférica marciana.

Segundo o artigo, os sinais foram produzidos dentro de redemoinhos de poeira, fenômenos comuns em Marte. Esses redemoinhos surgem quando o vento levanta partículas finas do solo, criando colunas giratórias que podem atravessar longas distâncias. O atrito entre os grãos de poeira faz com que eles fiquem eletricamente carregados, de forma parecida com esfregar um balão no cabelo para produzir eletricidade estática.

À medida que essas partículas carregadas se movimentam rapidamente no interior do redemoinho, surgem regiões com diferentes cargas elétricas. Quando a diferença é grande o suficiente, pequenas descargas podem saltar de um ponto ao outro, gerando sons fracos, mas perceptíveis ao microfone sensível do instrumento SuperCam do Perseverance. Essas descargas são curtas, frágeis e não produzem luz visível.

O primeiro som foi detectado em setembro de 2021, quando um redemoinho de poeira passou diretamente sobre o rover. Naquele momento, o microfone da Supercam registrou dois picos sonoros, sendo o segundo menor e mais sutil. Ao analisar o material, a equipe notou que esse segundo sinal se encaixava no padrão de uma interferência eletromagnética, característica de pequenas descargas elétricas.

Intrigados, os cientistas revisaram 28 horas de gravações feitas ao longo de quatro anos. Eles identificaram 54 eventos similares, dos quais sete apresentavam o mesmo padrão duplo captado há quatro anos. A diferença de tempo entre os dois picos ajudou a calcular a distância das descargas, que pareciam ocorrer a poucos centímetros do microfone, indicando que as faíscas eram realmente minúsculas.

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