
Astrônomos podem estar perto de identificar pares de buracos negros supermassivos que giram um em torno do outro antes de uma colisão final. Embora esses objetos não emitam luz, eles podem ter sua presença revelada ao distorcer e amplificar o brilho de estrelas posicionadas atrás deles. Esse mecanismo foi descrito em estudo publicado na revista Physical Review Letters.
Buracos negros supermassivos estão no centro de quase todas as grandes galáxias, com massas que variam de milhões a bilhões de vezes a do Sol. O núcleo da Via Láctea, por exemplo, abriga o Sagitário A*. Normalmente, há apenas um desses gigantes dominando a região central.
Quando galáxias colidem e se unem, seus buracos negros também passam a interagir gravitacionalmente. Com o tempo, aproximam-se, entram em órbita mútua e formam um sistema binário. Milhões de anos depois, acabam se fundindo, liberando energia em forma de ondas gravitacionais – ondulações no próprio tecido do espaço-tempo.
Até agora, os poucos sistemas binários conhecidos ainda estão muito separados, a centenas ou milhares de anos-luz de distância entre si. Detectar pares mais próximos, já em estágio avançado de espiral, é um desafio técnico. Missões futuras pretendem resolver parte desse problema por meio da detecção direta de ondas gravitacionais.
A Agência Espacial Europeia (ESA), por exemplo, planeja lançar a Antena Espacial Interferométrica a Laser (LISA), um observatório espacial capaz de captar ondas gravitacionais de baixa frequência. Na China, cientistas propuseram a missão TianQin, com objetivo semelhante. Esses projetos devem entrar em operação na próxima década.
Enquanto esses detectores não ficam prontos, uma equipe da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e do Instituto Max Planck de Física Gravitacional, na Alemanha, propôs outra estratégia. O grupo demonstrou que sistemas binários podem ser identificados por meio do efeito de lente gravitacional que produzem.
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