
A ideia de que humanos não têm capacidade de regeneração de membros ou órgãos complexos sempre foi tratada como uma limitação biológica definitiva. Diferentemente de espécies como salamandras, que regeneram patas inteiras, ou certos peixes que recuperam barbatanas e até partes do coração, os mamíferos normalmente respondem a lesões com cicatrização.
No entanto, estudos publicados na revista Science sugerem que essa limitação pode não ser tão absoluta. As pesquisas indicam que os mamíferos podem ter capacidade de regeneração, que está adormecida nas condições em que vivemos.
O assunto foi tema de um artigo no site The Conversation, escrito por dois professores de biologia.
Eles defendem que, historicamente, acreditava-se que a regeneração dependia principalmente de fatores genéticos e que, ao longo da evolução, os mamíferos teriam perdido essa habilidade. Os novos dados apontam para um cenário mais complexo, no qual o ambiente ao redor das células desempenha papel central no tipo de resposta a uma lesão.
Em um dos estudos, cientistas analisaram a regeneração da ponta do dedo em camundongos – um dos poucos casos em que mamíferos apresentam algum grau de regeneração. Eles observaram que tecidos que cicatrizam tendem a ser mais rígidos e ricos em colágeno, enquanto tecidos regenerativos possuem uma matriz extracelular mais flexível, com maior presença de moléculas como o ácido hialurônico.
Ao alterar esse ambiente, estabilizando os níveis de ácido hialurônico, os pesquisadores conseguiram reduzir a formação de fibrose e estimular respostas regenerativas, inclusive em áreas onde esse processo normalmente não ocorre. O resultado reforça a hipótese de que a cicatrização pode ser consequência das condições do tecido, e não algo inevitável.
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