Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de novembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Mapeamento revela evolução gradual do cérebro humano em sete milhões de anos

Mapeamento revela evolução gradual do cérebro humano em sete milhões de anos

Uma pesquisa aprofundada sobre a evolução do cérebro humano ao longo de sete milhões de anos revelou que o desenvolvimento do órgão ocorreu de forma gradual e constante, desafiando a ideia de saltos evolutivos bruscos entre diferentes espécies. 

Conduzido por uma equipe internacional de cientistas e publicado terça-feira (26) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo destaca que humanos modernos e seus parentes mais próximos apresentaram um ritmo de expansão cerebral mais acelerado em comparação com seus antecessores.

Chris Venditti, professor da Universidade de Reading, na Inglaterra, e coautor do estudo, explicou em um comunicado que a percepção anterior de que o cérebro humano teria aumentado de tamanho em “saltos” a cada nova espécie está equivocada. “Nosso estudo mostra que o crescimento cerebral foi mais parecido com atualizações graduais de software, ocorrendo dentro de cada espécie ao longo de milhões de anos”.

Essa descoberta sugere que o avanço intelectual humano não depende de mudanças radicais na biologia, mas sim de melhorias incrementais que podem continuar a acontecer ao longo do tempo. “Grandes transformações evolutivas nem sempre exigem eventos dramáticos. Elas podem ocorrer de forma gradual, assim como nos adaptamos e aprendemos hoje”, ressaltou Thomas Puschel, da Universidade de Oxford, líder da equipe.

O estudo também lança uma nova luz sobre a evolução dos neandertais, que por muito tempo foram considerados menos adaptáveis. A pesquisa mostra que o Homo neanderthalensis teve o crescimento cerebral mais rápido entre todas as espécies analisadas, incluindo o Homo sapiens. Isso contradiz a visão de que eles não conseguiam se adaptar às mudanças ambientais.

Essa constatação reflete uma tendência evolutiva contínua dentro de cada espécie, indicando que os limites entre as espécies podem ser menos rígidos do que se imaginava. Em vez de divisões claras, as espécies parecem formar uma sequência contínua, revolucionando a maneira como classificamos a evolução humana.

Compartilhe