Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Matéria escura pode deixar “impressão digital” azul ou vermelha na luz 

Matéria escura pode deixar “impressão digital” azul ou vermelha na luz 

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de York, na Inglaterra, sugere que a matéria escura, substância misteriosa que constitui a maior parte da massa do Universo, pode não ser tão “escura” quanto se pensava. 

Recém-publicado na revista Physics Letters B, o estudo revela que essa matéria invisível poderia deixar uma “impressão digital” sutil na luz, manifestando-se como um tênue brilho vermelho ou azul. A descoberta desafia a teoria de longa data que diz que a matéria escura e a luz não interagem, pavimentando um caminho inédito para a detecção e estudo profundo desse componente enigmático.

Tradicionalmente, a matéria escura é conhecida apenas por sua imensa atração gravitacional, que molda as galáxias e as mantém unidas. Por essa razão, a maioria da comunidade científica sequer considerava a possibilidade de que ela pudesse ser detectada através da luz. Ao reexaminar essa premissa, o novo estudo propõe um cenário mais intrincado e curioso.

As descobertas da equipe de York indicam que, dependendo do tipo específico de matéria escura encontrada, a luz pode assumir uma tonalidade sutilmente avermelhada ou azulada. Detectar esses efeitos não seria apenas uma curiosidade, mas uma nova e promissora avenida para explorar a massa invisível que domina o cosmos.

Segundo um comunicado, o estudo teórico apoia-se em uma analogia – a “regra dos seis apertos de mão” (ou “teoria dos seis graus de separação”), que sugere que quaisquer duas pessoas na Terra estão conectadas por apenas alguns conhecidos. 

Os pesquisadores propõem que uma cadeia similar de conexões pode existir no nível das partículas. Mesmo que a matéria escura não interaja diretamente com a luz, ela pode influenciá-la indiretamente, agindo através de outras partículas. Por exemplo, as Partículas Massivas de Interação Fraca (WIMPs), que são fortes candidatas à matéria escura, poderiam se ligar à luz por meio de uma série de intermediários, como o bóson de Higgs e o quark top.

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