Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de junho de 2026 · 2 min de leitura ·

Meio ambiente: reduzir emissões de metano pode ter efeito indesejado na camada de ozônio

Meio ambiente: reduzir emissões de metano pode ter efeito indesejado na camada de ozônio

Em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, para destacar a importância da preservação ambiental e alertar sobre problemas como poluição, desmatamento, perda de biodiversidade e o aumento das emissões de gases de efeito estufa, como o metano.

Um estudo publicado recentemente na revista Geophysical Research Letters analisou como a redução do metano pode influenciar não apenas o clima, como também a camada de ozônio. E não de forma positiva.

A diminuição desse gás é vista há anos como uma das estratégias mais rápidas de reduzir o aquecimento global, já que ele tem forte impacto no efeito estufa, contribui para o aquecimento de curto prazo e está ligado a atividades como exploração de petróleo e gás, agropecuária e aterros sanitários. 

Além disso, cortar essas emissões também melhora a qualidade do ar em grandes cidades e regiões industriais. No entanto, as simulações feitas por uma equipe de pesquisa da Universidade de Reading, no Reino Unido, indicam que esse benefício climático pode vir acompanhado de efeitos inesperados na atmosfera superior, afetando outro sistema essencial de proteção do planeta.

Segundo os pesquisadores, quando o metano diminui, ocorrem mudanças na química das altas camadas da atmosfera. Dois grupos de gases que também afetam a camada de ozônio passam a agir de forma mais intensa, acelerando a destruição desse escudo natural que protege a Terra da radiação ultravioleta. Esse processo ocorre principalmente na estratosfera, onde pequenas alterações na composição química podem gerar impactos em cadeia.

Entre esses gases estão os halocarbonos, substâncias industriais associadas ao antigo buraco na camada de ozônio, e o óxido nitroso, liberado principalmente pela agricultura e pelo uso de fertilizantes. Em condições com menos metano, esses compostos se tornam mais reativos, aumentando sua capacidade de degradar o ozônio. Isso acontece porque o metano também participa de reações químicas que ajudam a limitar parte da ação destrutiva desses poluentes na alta atmosfera.

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