Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Meteorito ajuda a explicar a composição química de Mercúrio

Meteorito ajuda a explicar a composição química de Mercúrio

Um artigo publicado sexta-feira (1) na revista científica Geochimica et Cosmochimica Acta apresenta novas pistas sobre a composição química de Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol. 

Apesar de integrar o grupo dos mundos rochosos do Sistema Solar, ele apresenta características bem diferentes das encontradas na Terra, em Vênus e em Marte.

Dados de missões espaciais mostram que a superfície de Mercúrio é pobre em ferro, mas rica em enxofre e magnésio. Essa combinação incomum tem impacto direto na estrutura interna do planeta. Além disso, Mercúrio é considerado pelos cientistas o planeta mais “reduzido” do Sistema Solar, o que significa que seus elementos químicos não estão ligados ao oxigênio, como ocorre na Terra.

Na prática, isso quer dizer que, em vez de óxidos, predominam compostos como sulfetos, carbetos e silicietos. Essa diferença muda completamente a forma como as rochas se comportam no interior do planeta. Compreender esse ambiente químico é essencial para explicar como Mercúrio se formou e evoluiu ao longo de bilhões de anos.

Sem acesso direto a rochas do planeta, pesquisadores da Universidade Rice, em Houston, no Texas, EUA, precisaram buscar alternativas para estudar essas condições. A solução foi recorrer a um meteorito raro chamado Indarch, que caiu na Terra em 1891, no Azerbaijão. Esse material apresenta características químicas semelhantes às inferidas para Mercúrio.

O meteorito Indarch é classificado como um condrito de enstatita do tipo EH4, um grupo raro que se formou nas regiões mais internas do Sistema Solar primitivo, próximas ao Sol. Esses meteoritos são ricos em ferro e contêm sulfetos incomuns, compostos ricos em enxofre, o que os torna especialmente valiosos para esse tipo de estudo.

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