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Ciência e Espaço · · 3 min de leitura ·

Microrganismo com genoma minúsculo desafia definição do que é estar vivo

Microrganismo com genoma minúsculo desafia definição do que é estar vivo

Um microrganismo com um dos menores genomas já identificados pela ciência está levando pesquisadores a questionar os limites do que caracteriza a vida. Batizado de Sukunaarchaeum mirabile, ele possui apenas 238 mil pares de bases de DNA e apresenta uma estrutura genética tão reduzida que pode depender de outro organismo para sobreviver.

A descoberta aconteceu por acaso, durante uma pesquisa com o plâncton unicelular Citharistes regius, coletado em águas superficiais do mar na costa de Shimoda, no Japão. Os cientistas investigavam o material genético de cianobactérias que vivem em associação com esse plâncton quando encontraram uma pequena sequência circular de DNA que chamou a atenção da equipe.

O estudo foi publicado na revista científica Current Biology e reúne pesquisadores das áreas de biologia e ciência da computação.

Organismo tem menos DNA do que alguns vírus

  • O Sukunaarchaeum mirabile pertence ao domínio Archaea, formado por organismos unicelulares que, assim como as bactérias, não possuem o DNA protegido por um núcleo envolvido por membrana. Apesar dessas semelhanças, as arqueias têm uma história evolutiva própria e características distintas das bactérias;
  • O tamanho do genoma recém-identificado é particularmente impressionante. Existem vírus com genomas maiores do que o do microrganismo, alguns com 730 mil pares de bases e outros com até 2,5 milhões;
  • A comparação chama a atenção porque os vírus não são considerados seres vivos por muitas definições convencionais, entre outros motivos, por não possuírem metabolismo próprio.

O Sukunaarchaeum mirabile também apresenta limitações importantes. Seu genoma não contém quase todos os genes normalmente necessários para manter o metabolismo de forma independente. Isso significa que ele aparentemente não consegue produzir sozinho tudo de que precisa para sobreviver.

Quando os resultados preliminares foram divulgados, em 2025, os pesquisadores chegaram a descrever sua existência como semelhante à de um vírus. Na versão final do estudo, porém, essa comparação foi abandonada para evitar confusão sobre sua classificação biológica.

Plâncton dinoflagelado
Dentro desse plâncton dinoflagelado existe um minúsculo micróbio que age mais como um vírus do que como uma célula – Imagem: Takuro Nakayama/Universidade de Tsukuba

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Microrganismo pode depender de um hospedeiro

Uma das principais questões levantadas pela descoberta é como o organismo consegue sobreviver com tão pouca informação genética.

Segundo os pesquisadores, o microrganismo perdeu quase todos os genes necessários para produzir nutrientes e energia, mas preservou boa parte dos mecanismos responsáveis por copiar seu próprio genoma e fabricar proteínas a partir das informações contidas no DNA.

Essa combinação sugere que ele pode estar próximo do limite mínimo de informação genética necessário para uma célula continuar sendo capaz de se reproduzir e manter seu material genético.

Thorsten Allers, biólogo molecular da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, explica que a capacidade de se replicar e o grau de autonomia desse processo são questões centrais para definir a vida.

A descoberta, segundo o pesquisador, oferece novas pistas sobre o quão simples uma célula viva pode se tornar e ainda preservar a capacidade de reprodução e manutenção de suas informações genéticas.

Os únicos organismos conhecidos com menos material genético do que o Sukunaarchaeum mirabile são bactérias que se tornaram tão dependentes de hospedeiros simbióticos que praticamente perderam sua identidade como organismos separados.

Parasita ou parceiro de outro organismo?

Os pesquisadores também consideram a possibilidade de o microrganismo ser um parasita, em vez de um parceiro que oferece algum benefício ao organismo que o abriga.

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