
Cientistas da Universidade Estadual do Arizona, nos EUA, e do Centro Internacional de Física de Donostia, na Espanha, publicaram um estudo na revista Nature Astronomy que propõe uma nova abordagem para compreender a enigmática matéria escura.
A pesquisa sugere que a influência gravitacional dessa substância invisível pode ser a causa de galáxias jovens apresentarem formatos inesperadamente alongados, uma característica peculiar que o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, tem observado em seu rastreamento do Universo primordial.
Investigar essas formas, segundo os pesquisadores, pode ser o caminho para finalmente identificar qual das diversas partículas hipotéticas melhor explica a existência da matéria escura, que corresponde a cerca de 85% de toda a matéria do cosmos – e em torno de 27% de sua composição total.
Desde que começou suas observações científicas, em 2022, o JWST tem revolucionado nossa compreensão do início do Universo. No entanto, a matéria escura ainda permanece um mistério intocável. Sua natureza indetectável – por não interagir com a luz ou fazer isso de forma tão fraca que escapa aos nossos instrumentos – torna sua investigação um desafio imenso.
Sabemos que ela não é composta pelos prótons, nêutrons e elétrons que formam toda a matéria comum que vemos ao nosso redor, das estrelas aos seres vivos, o que impulsiona a busca por uma partícula completamente nova.
A única forma de os cientistas detectarem a matéria escura é observando os efeitos de sua monstruosa força gravitacional sobre o espaço e a matéria visível – e é exatamente essa abordagem que o novo estudo explora. O modelo cosmológico mais aceito, conhecido como Lambda de Matéria Escura Fria (LCDM), pressupõe que a matéria escura seja “fria” (um termo que se refere à baixa velocidade de suas partículas, não à temperatura). Simulações baseadas nesse modelo geralmente resultam em galáxias predominantemente esféricas, semelhantes às que observamos no Universo moderno.
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