Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de maio de 2024 · 2 min de leitura ·

Mistério da Via Láctea pode estar prestes a ser resolvido após 88 anos

Mistério da Via Láctea pode estar prestes a ser resolvido após 88 anos

Estima-se que existam entre 200 bilhões e 400 bilhões de estrelas na Via Láctea. A maioria delas se comporta de forma bem comum, mas uma em particular chama a atenção devido à força pouco convencional.

Trata-se do sistema binário conhecido como FU Orionis, que tem desafiado as expectativas dos astrônomos desde 1936, quando repentinamente aumentou seu brilho em mil vezes. Esse fenômeno nunca tinha sido observado em uma estrela jovem antes, deixando os cientistas perplexos por décadas.

Depois de 88 anos de mistério, finalmente foram obtidas algumas respostas sobre o comportamento peculiar de FU Orionis. A estrela está se alimentando ativamente de um fluxo de material que a envolve, um processo descoberto por uma equipe de astrônomos liderada por Antonio Hales, do Observatório Nacional de Radioastronomia. 

Utilizando as observações do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), eles conseguiram imagens diretas desse fluxo de material. “FU Orionis tem consumido material durante quase um século para sustentar sua erupção. Agora, finalmente, encontramos uma explicação para como essas estrelas jovens em erupção reabastecem sua massa”, explica Hales em um comunicado. “Pela primeira vez, temos provas observacionais diretas do material que alimentou essas erupções”.

Esse material consiste em um filamento de monóxido de carbono que se conecta à estrela central do sistema FU Orionis. No entanto, esse filamento não possui material suficiente para alimentar a explosão estelar, levando os pesquisadores a acreditar que ele é parte da cauda ou resquícios de um aglomerado muito maior de gás que foi arrastado pela estrela ao longo do tempo.

Segundo Hales “é possível que a interação com um fluxo maior de gás no passado tenha tornado o sistema instável e desencadeado esse aumento de brilho”. 

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