Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de dezembro de 2023 · 2 min de leitura ·

Modelo matemático usa embriões de galinha para investigar desenvolvimento humano

Modelo matemático usa embriões de galinha para investigar desenvolvimento humano

No âmago da compreensão do desenvolvimento humano reside uma questão persistente: como nossas células se coordenam para formar órgãos complexos como a pele, músculos e ossos? 

A gastrulação, um estágio crucial no desenvolvimento embrionário, é um ponto focal para desvendar esse mistério. É durante este estágio que células embrionárias passam de uma camada única para uma estrutura multicelular tridimensional, definindo o eixo corporal principal. Em humanos, a gastrulação ocorre aproximadamente 14 dias após a concepção.

Para compreender esse processo, cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego e da Universidade de Harvard, nos EUA, junto com uma equipe da Universidade de Dundee, no Reino Unido, examinaram embriões de galinhas. Como não é viável estudar embriões humanos nesse estágio, os pintinhos compartilham semelhanças marcantes nessa fase inicial do desenvolvimento.

Os pesquisadores construíram um modelo matemático capaz de prever com precisão os movimentos celulares durante a gastrulação observados sob um microscópio, marcando a primeira vez em que uma simulação calculada pôde reproduzir esses fluxos em embriões de galinhas.

Além de replicar as observações experimentais, a equipe “perturbou” o modelo, alterando condições iniciais ou parâmetros. Os resultados foram surpreendentes: o modelo gerou fluxos celulares observados em espécies diferentes de vertebrados, como rãs e peixes, mas não naturalmente nos pintinhos.

Para validar esses resultados, os biólogos imitaram as perturbações do modelo em embriões de pintinhos no laboratório. Os embriões manipulados também apresentaram fluxos de gastrulação observados em peixes e rãs, confirmando as previsões do modelo.

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