Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de janeiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Mulher enterrada com arco há mais de mil anos pode ter sido guerreira

Mulher enterrada com arco há mais de mil anos pode ter sido guerreira

Os magyares, ou húngaros, ficaram conhecidos por sua habilidade como arqueiros no mundo medieval. Por isso, esqueletos de homens dessa época frequentemente são encontrados com arcos e flechas. No entanto, um estudo recente revelou o esqueleto de uma mulher enterrada há 1,1 mil anos com armamentos semelhantes. A descoberta ocorreu no cemitério de Sárrétudvari–Hízóföld, na Hungria.

Este cemitério foi usado durante o período da conquista húngara. E a sepultura de SH-63, a mulher em questão, apresentou uma combinação única de bens funerários. Entre eles, estavam armas e joias – algo incomum em sepulturas femininas.

SH-63 foi enterrada com itens associados tanto a homens quanto a mulheres da época, como pontas de flechas e uma placa de arco, além de joias e um anel de cabelo. Isso gerou incertezas sobre o sexo do indivíduo. Por isso, os pesquisadores decidiram fazer análises morfológicas e genéticas.

Apesar da deterioração do estado dos ossos, as análises confirmaram que o indivíduo era, de fato, uma mulher. “Certamente, uma das perguntas mais intrigantes é se o caso pode ser considerado um sepultamento de guerreira”, escrevem os pesquisadores no estudo publicado na revista PLoS ONE no final de 2024.

Os autores do estudo observam que a presença de armamentos não é suficiente para confirmar status de guerreira. Isso porque a confirmação envolveria reconhecimento social e legal que só seria registrado por fontes escritas.

Apesar disso, os pesquisadores notaram que o esqueleto de SH-63 exibe ferimentos e alterações nas articulações similares aos encontrados em esqueletos masculinos de outros guerreiros enterrados no cemitério de Sárrétudvari–Hízóföld. Isso sugere que a mulher pode ter levado um estilo de vida similar ao dos homens guerreiros.

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