Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Nada de nave alienígena: 3I/ATLAS é só um cometa mesmo

Nada de nave alienígena: 3I/ATLAS é só um cometa mesmo

Astrônomos descartaram a hipótese de que o cometa interestelar 3I/ATLAS seja uma nave alienígena ou algum tipo de sonda artificial. Observações recentes não encontraram qualquer sinal tecnológico associado ao objeto, reforçando a interpretação de que ele é um cometa natural, apesar de sua origem fora do Sistema Solar.

O interesse em torno do 3I/ATLAS cresceu porque ele é apenas o terceiro objeto interestelar já identificado passando pelo nosso sistema planetário, depois de 1I/‘Oumuamua, em 2017, e 2I/Borisov, em 2019. A raridade desses visitantes alimentou especulações, mas novos dados indicam que, ao menos neste caso, não há surpresas do ponto de vista científico.

A investigação foi conduzida com o Green Bank Telescope, um radiotelescópio de 100 metros de diâmetro usado pelo projeto Breakthrough Listen, dedicado à busca por sinais de possíveis civilizações extraterrestres. Os astrônomos procuraram por tecnossinaturas, especialmente sinais de rádio estreitos, considerados candidatos prováveis por exigirem pouca energia e viajarem grandes distâncias pelo espaço.

Segundo o pesquisador principal Benjamin Jacobson-Bell, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, a equipe não detectou nenhum indício desse tipo. Em entrevista ao site Space.com, ele afirmou que o resultado já era esperado, dado o conjunto de evidências que aponta o 3I/ATLAS como um cometa comum, sem características artificiais.

O Green Bank Telescope opera em uma área protegida contra interferências de rádio e possui sensibilidade suficiente para detectar transmissores com potência de até 0,1 watt. Para efeito de comparação, celulares modernos costumam emitir sinais na faixa de 1 watt.

De acordo com Jacobson-Bell, se houvesse no 3I/ATLAS algum transmissor até dez vezes mais fraco que um telefone celular, ele teria sido identificado. A equipe chegou a registrar nove “eventos”, termo usado para sinais que passam por filtros iniciais, mas todos foram atribuídos posteriormente a fontes terrestres conhecidas.

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