
O que você precisa saber
Fissão nuclear deve ser a próxima aposta da Nasa para abastecer seus foguetes. A inspiração vem dos antigos Redstone — aqueles que, em 1958, explodiram uma bomba nuclear e, três anos depois, levaram os primeiros americanos até o espaço. Isso porque o motor nuclear pode ser duas vezes mais eficiente do que os atuais, que usam componentes químicos.
O conceito em si é simples, mas reatores de fissão pequenos são difíceis de construir e arriscados para operar, porque produzem lixo tóxico — e seria pouco agradável ter de lidar com um derretimento nuclear no espaço. Mesmo assim, a Nasa acredita que isso pode ser necessário em futuras missões humanas à Lua e a Marte.
Na liderança do programa nuclear para o espaço está Bill Emrich, autor de um livro sobre propulsão nuclear – ele pesquisa o assunto desde o início dos anos 1990. Segundo ele, é possível chegar a Marte com impulsão química, mas extremamente difícil. “Para ir além da Lua, é muito melhor usar propulsão nuclear”, diz ele.
Emrich e seu trabalho ganharam mais importância porque a administração de Donald Trump quer colocar os pés na Lua novamente o mais rápido possível — como preparação para uma ida a Marte. Apesar de não ser necessário ter um motor nuclear para chegar à Lua, poder testar essa tecnologia em uma jornada lunar seria extremamente valioso, já que a técnica quase certamente será usada em uma missão tripulada a Marte.
Vale lembrar que o motor nuclear não será usado para lançar a nave no espaço: qualquer acidente com ele na plataforma de lançamento causaria um desastre das proporções do ocorrido na usina de Chernobyl. Em vez disso, o foguete vai ter propulsão química e somente a astronave será equipada motor nuclear — ou seja, só quando já estiver no espaço o reator será acionado.
A enorme quantidade de energia produzida por esse tipo de sistema pode ser usada para manter postos humanos avançados em outros mundos, bem como cortar o tempo de viagem para Marte pela metade. “A solução de muitos problemas de exploração espacial requer potência de alta densidade. Para algumas dessas dificuldades, a energia nuclear é a melhor opção (ou a única, muitas vezes)”, conta Rex Geveden, um antigo administrador associado da Nasa e CEO da BWX Technologies.
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