Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Neandertais eram tão inteligentes quanto nós, diz estudo

Neandertais eram tão inteligentes quanto nós, diz estudo

A ideia de que os humanos modernos superaram os neandertais graças a uma superioridade intelectual pode estar equivocada. Um estudo publicado esta semana nos Anais da Academia Nacional de Ciências indica que a espécie possuía capacidades cognitivas comparáveis às do Homo sapiens, colocando em xeque uma das explicações mais difundidas para sua extinção.

Os neandertais habitaram a Europa Ocidental até poucos milhares de anos após a chegada dos humanos modernos. A rapidez com que eles deixaram de existir foi atribuída a diferenças cognitivas. Já as novas evidências sugerem que essa hipótese pode não refletir a realidade do que aconteceu.

Como o tecido cerebral não se preserva ao longo de milhares de anos, os cientistas dependem da análise de crânios fossilizados para entender as características do cérebro neandertal. Os fósseis indicam que, embora a forma da caixa craniana fosse mais alongada ( em contraste com o formato mais arredondado do crânio humano atual), isso não necessariamente implica diferenças funcionais relevantes.

Pesquisas anteriores sugeriam que os neandertais poderiam ter áreas cerebrais menores associadas à linguagem, memória e funções executivas. No entanto, o novo estudo contesta essa interpretação ao comparar variações cerebrais entre populações humanas atuais.

Os pesquisadores analisaram dados de indivíduos modernos dos Estados Unidos e da China. Eles concluíram que as diferenças estimadas entre cérebros de neandertais e humanos pré-históricos estão dentro da mesma faixa de variação encontrada entre populações humanas atuais. Em nove das 13 regiões cerebrais avaliadas, as discrepâncias entre grupos atuais foram maiores do que aquelas entre neandertais e Homo sapiens antigos.

“Isso sugere que as diferenças cognitivas entre neandertais e [humanos modernos] se encaixariam confortavelmente na faixa encontrada entre as populações humanas modernas – que geralmente não são consideradas evolutivamente significativas”, afirmam os autores.

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